Meus Amigos

terça-feira, 20 de março de 2018

Falando à Terra


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Falando à Terra
Nunca me honrei com aplausos e louros, que os não mereci, mas vigiei, quanto pude, na preparação de tua vitória, exercendo o ministério do direito a que te afeiçoaste, desde o sonho impreciso dos missionários expatriados que te marcaram as primeiras linhas de evolução, voltados para o esplendor da Igreja primitiva. Incorporando-te à essência de meu sangue e de meu ideal, confiei-me - célula microscópica - à tua grandeza imperecível e tomei assento nas lides da palavra e da pena, nos tribunais e nas praças, na guerra sem quartel daqueles que não conhecem o conselho dos generais, nem o apoio das baionetas. 
Por ti, suportei, orgulhoso, o peso de asfixiantes responsabilidades que me feriram os ombros e me iluminaram o coração, na evidência e na obscuridade, aprendendo e sofrendo contigo, na escola da igualdade, da tolerância e da justiça.
E agora, que a ciência mortífera grava transitória supremacia nos regimes, estimulando a política da força pelo triunfo numérico; que a perversidade da inteligência lança o descrédito nos fundamentos morais do mundo; que a crise do caráter emite vagas negras de perturbação e desordem; que a toga desce da majestade dos seus princípios, para dourar os instintos da barbárie nos tremendos conflitos internacionais que se agigantam no século; que a moral religiosa concorre ao pleito de dominação indébita, imergindo nas trevas da discórdia as consciências que lhe cabe dirigir; que a doutrina do sílex substitui os tratados nas guerras sem declaração; que os dogmas de todos os matizes se insinuam nas conquistas ideológicas da Humanidade, preconizando a mordaça e o obscurantismo - agora ponho meus olhos em teu vasto futuro...
Possa continuar ecoando em teus santuários e parlamentos, cidades e vilarejos, vales e montanhas, florestas e caminhos, a palavra imortal do Mestre da Galiléia!
Conserva a tua vocação de fraternidade, para que os mananciais da bênção divina jorrem luz e paz sobre a tua fronte dignificada pelo esforço cristão na concórdia e na atividade fecunda. Guarda o teu augusto patrimônio de liberdade a distância de todos os gigantes do terror, dos deuses da carniça e dos gênios da brutalidade, que tentam ressuscitar os fósseis da tirania. 
Elege o trabalho por bússola do progresso e da ordem, porque de tuas arcas dadivosas manará novo alimento para o mundo irredimido. Templo de solidariedade humana, teu ministério de pacificação e redenção apenas começa... Novo hino será desferido por tua voz no coro das nações. Nem Atenas adornada de filósofos, nem Esparta pejada de guerreiros. Nem estátuas impassíveis, nem espadas contundentes. Nem Roma, nem Cartago. senhores, nem escravos.
Desdobrem-se, isto sim, em teu solo amoroso os ramos viridentes da Árvore ao Evangelho, a cuja sombra inviolável se mitigue a sede multimilenar do homem fatigado e deprimido! Desfralda o estrelado pavilhão que te assinala os destinos e não te quebrantes à frente dos espetáculos cruentos, em que os povos desprevenidos da atualidade erguem cenotáfios e ossuários a própria grandeza. 
Descerra hospitaleiras portas aos ideais da bondade construtiva, do perdão edificante, do ilimitado bem, porque somos em ti a família venturosa do Cristianismo restaurado, e, por amor, se necessário, mil vezes nos confundiremos no pó abençoado e anônimo dos teus caminhos floridos de esperança, empunhando o código da justiça para o exercício varonil do direito, emergindo das sombras da morte - celeiro sublime da vida renascente.
Grande Brasil! Berço de triunfos esplêndidos, aberto à glorificação do Cristo, seja Ele a tua inspiração redentora, o teu apoio infalível, a trave-mestra de tua segurança; e, enaltecendo o messianismo do teu povo fraterno, em cujo seio generoso se extinguem todos os ódios de raça e se expungem todas as fronteiras do separatismo destruidor, que o Mestre encontre no âmago de teu coração o sagrado pouso das Boas-Novas de Salvação, descendo, enfim, da cruz de nossa impenitência multissecular para conviver com a Humanidade terrestre, para sempre.




Ruy Barbosa

sábado, 17 de março de 2018

Deus não é uma coisa muito distante de você



Há uma história sobre Buda, onde uma manhã um homem perguntou a ele: "Existe um Deus?"
Buda olhou para o homem, olhou dentro e seus olhos e disse:
"Sim, existe um Deus."
Neste mesmo dia, à tarde, outro homem perguntou: "O que você acha de Deus? Existe um Deus?"
Novamente ele olhou para o homem e para dentro de seus olhos disse: "Não, não existe nenhum Deus."
Ananda, que estava com ele nas duas ocasiões, ficou muito confuso, mas ele sempre era muito cuidadoso para não interferir em nada. Ele tinha o seu tempo quando todo mundo partia à noite e Buda estava indo dormir; se ele tinha que perguntar alguma coisa, ele poderia perguntar neste momento. Mas, à noite, enquanto o sol estava se pondo, um terceiro homem veio com quase a mesma questão, formulada diferentemente. Ele disse: "Você pode dizer algo sobre Deus?"
Ananda estava agora escutando muito concentradamente o que Buda diria. Ele deu duas respostas absolutamente contraditórias no mesmo dia e agora uma terceira oportunidade surgiu - e não existe uma terceira resposta. Mas Buda deu uma terceira resposta. Ele não falou, ele fechou os seus olhos. Era uma linda noite. Os pássaros tinham se acomodado em suas árvores - Buda estava em baixo de uma mangueira - o sol se pôs, uma brisa fresca estava começando a soprar. O homem, vendo Buda sentando com os olhos fechados, pensou que talvez esta é a resposta, assim ele também se sentou com os olhos fechados.
Uma hora se passou, o homem abriu os olhos, tocou os pés de Buda e disse: "Obrigado pela resposta." E foi embora.
Ananda não podia acreditar, porque Buda não falou uma simples palavra. E quando o homem foi embora, perfeitamente satisfeito e contente, Ananda perguntou a Buda: "Isto é demais! Você poderia pensar em mim - você me deixa louco. Eu estou à beira de um colapso nervoso. Para um homem você diz que existe Deus, para outro homem você diz que não existe Deus e para um terceiro você não responde. E este estranho seguidor diz que ele recebeu a resposta e, grato, ainda toca os seus pés! O que está acontecendo?"
Buda disse: "Ananda, a primeira coisa que você tem que se lembrar é que estas perguntas não eram as suas, e aquelas respostas não foram dadas para você. Por que você deveria se preocupar com elas? Elas não são da sua conta, mas algo entre mim e aquelas três pessoas".
Ananda disse: "Isto é verdade, estas não eram minhas perguntas e as respostas não foram dadas para mim. Mas o que eu posso fazer? Eu tenho ouvidos e escuto e eu escutei e vi e agora todo o meu ser está confuso - o que é certo?"
Buda disse: "Você pensa na vida em termos absolutos, é esse o seu problema. A vida é relativa. Para o primeiro homem a resposta foi sim e era relativa a ele, estava relacionada com as implicações de sua questão, de seu ser, de sua vida. O homem a quem eu disse sim era um ateu; ele não acredita em Deus e não quero dar suporte a seu ateísmo estúpido; ele fica a proclamar que Deus não existe. Mesmo se um pequeno espaço for deixado inexplorado... talvez Deus exista naquele espaço. Só quando você investigou toda a existência pode dizer com absoluta certeza que Deus não existe. Isso é possível somente no final, e aquele homem estava simplesmente acreditando que Deus não existe, mas não tinha experiência existencial de que Deus não existe. Precisei estilhaçá-lo, precisei trazê-lo de volta à terra, precisei bater duro em sua cabeça. Meu sim foi relativo àquela pessoa, a toda a sua personalidade. Sua pergunta não era apenas palavras. A mesma palavra vinda de outra pessoa poderia ter recebido uma outra resposta.
E foi isso que aconteceu quando respondi "não" ao outro homem. Ele era um idiota tal qual o primeiro, mas no pólo oposto. Ele queria o meu apoio - ele já acreditava em Deus. Ele veio com a resposta pronta, apenas para solicitar o meu apoio de modo que ele pudesse ir e dizer: ‘Eu estou certo, o próprio Buda pensa assim’. Eu tinha que dizer não para ele, apenas para perturbar a sua crença, porque crença não é sabedoria.
E o terceiro homem veio sem crenças. Ele não me perguntou se Deus existe. Não, ele veio com o coração aberto, sem a mente, sem crenças, sem ideologias. Ele era realmente uma pessoa sã e inteligente. Ele me pediu: 'Você pode dizer algo sobre Deus?'
Pude perceber que aquele homem não tinha crença dessa ou daquela natureza; ele é inocente. Com uma pessoa tão inocente, a linguagem não tem sentido. Não posso dizer sim nem não; apenas o silêncio é a resposta. Então fechei os olhos e permaneci em silêncio.
E minha impressão sobre o homem provou ser correta. Ele fechou os olhos também. Ele entendeu minha resposta: fique em silêncio, vá para dentro. Ele então recebeu a resposta de que Deus não é uma teoria, uma crença que você deve estar contra ou a favor. Foi por isso que ele agradeceu pela resposta.
Deus não é uma coisa muito distante de você; ou você é uma mente ou você é um deus. Em silêncio e consciência a mente desaparece e revela a sua divindade para você. Apesar de eu não ter falado nada para ele, ele recebeu a resposta e recebeu-a da maneira correta."

quarta-feira, 12 de julho de 2017

PROSELITISMO DE ARRASTAMENTO

PROSELITISMO DE ARRASTAMENTO

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Virgulino Rocha era médium de qualidades apreciáveis no serviço do bem, no entanto, não conseguia furtar-se à preocupação de insistir com os amigos para que lhe seguissem os passos na interpretação religiosa.

Na oficina do ganha-pão, era trabalhador corretíssimo, considerando o caráter sagrado de suas responsabilidades e obrigações, mas, na vida comum, discutia a mais não poder, no intuito de intensificar o proselitismo. Quando surgiam conhecimentos novos, nas atividades diárias, revelava imediatamente a posição extremista. Tratava-se de alguém com opinião igual à dele, em matéria de fé? Estava disposto a todos os favores. Caso contrário, porém, Virgulino se retraía. Não odiava, mas também não dispensava às novas relações o menor interesse fraternal. Em se aproximando de alguém estranho aos seus pontos de vista, deixava-se dominar firmemente pelo espírito de discussão e disputa. Nesse capítulo, não esclarecia, nem convidava. Preferia arrastar, Em vão os amigos espirituais ofereciam-lhe novas diretrizes. Por vezes, contra todas as suas expectativas, o orientador invisível tornava-lhe a mão e escrevia sem rebuços:

«Virgulino, meu amigo, cada árvore tem condições diferentes para produzir. No que se refere à fé religiosa, procede à maneira do agricultor inteligente. Fornece adubos, protege as plantas tenras, não olvides a irrigação, mas não exijas fruto antes da época adequada. Será justo insistamos pela obtenção de pêssegos, de um pessegueiro mirrado, em terrenos desertos? Antes da colheita substanciosa e perfumada, não será razoável ministrar à planta elementos de vida, concedendo-se-lhe tempo indispensável, a fim de que se verifique a produção?»

Recebia o médium a mensagem sem esconder a própria admiração e inquiria naturalmente:

– Como pode ser isso?

Replicava a entidade generosa:

«O nobre cumprimento do dever com Jesus e com os homens é a melhor pregação. O discípulo que execute semelhante programa é o cultivador previdente e amigo da Natureza.»

– Mas o Divino Mestre – observava Virgulino, contrafeito –, no próprio Evangelho, não determina que se deve pregar as verdades do Céu a todas as criaturas?

«Sim – tornava o benfeitor amorável –, mas o Cristo expôs o ensinamento sem violentar a ninguém, convidou ao banquete da Boa-Nova, mas não arrastou a quem quer que fosse. Além disso, deixou bem claro que a prédica eficiente não é problema de palavras apenas e sim de exemplificação. O aprendiz leal do Evangelho é uma carta viva do Mestre. Todos poderão ler-lhe os caracteres e afeiçoar a experiência própria pelo padrão da conduta dele. Por isso mesmo, o homem honesto e trabalhador, em todos os gestos do dia, está pregando a criaturas que o vêem.»

O companheiro inquieto anotava ligeiramente as considerações recebidas, mas, certa vez, quando os conselhos se repetiam, Virgulino acentuou:

– Afinal de contas, não sei como proceder. Sinto-me animado das melhores intenções. Se encontrasse uma lição mais explícita ao menos...

O bondoso amigo espiritual não o deixou terminar e traçou no papel levemente: – «Tê-la-ás.»

O médium manifestou estranheza, em face da resposta lacônica e continuou nos mesmos hábitos, sem emprestar maior atenção ao prometido. Passou um ano e as observações criteriosas não se repetiram. Em razão disso, o nosso amigo prosseguia mais ardoroso no trabalho de arrastamento ao proselitismo doutrinário.

Os antigos conselhos já estavam quase integralmente esquecidos, quando Virgulino conseguiu o que representava para ele uma vitória de apreciável importância. O Jerônimo Castro, seu vizinho, com quem discutira durante dez anos, rendera-se-lhe às opiniões. A cura dum garoto doente inclinara-o ao Espiritismo, afinal. E o antigo companheiro, seguido da mulher e nove filhos, colocou-se à inteira disposição do médium, para o que desse e viesse, submetendo-se-lhe completamente aos pontos de vista. Virgulino não cabia em si de contentamento. Humilde operário em cidade grande, cooperando no seu grupo de realizações doutrinárias, ao lado de outros inúmeros trabalhadores, não saboreara ainda alegria igual àquela, trazendo às suas idéias mais de dez pessoas de uma só vez. Não pudera perceber que semelhante satisfação era fogo-fátuo de vaidade mal dissimulada, e que o triunfo fictício era somente agravo de responsabilidades na bagagem de deveres a lhe pesarem nos ombros. Incapaz de compreender o que reputava agradável sucesso, dava largas ao júbilo infantil e comentava:

– Ah! o Jerônimo, vocês hão de ver. A Doutrina efetuou notável conquista. Recordemos que por trás de sua figura existe enorme bloco de criaturas a considerar. Os filhos, os parentes todos, enfim, serão chamados à luz da verdade e do bem!

E as esperanças lhe brilhavam nos olhos claros e ingênuos.

Em breve tempo, contudo, a realidade surgia diversamente. Jerônimo Castro e os seus não se interessaram pelos ensinamentos que a Doutrina lhes oferecia, qual manancial abundante e inestancável. Em vão, Virgulino Rocha trazia livros, anotações e esclarecimentos. Os neófitos não queriam saber senão de vantagens. Não desejavam certificar-se de que haviam chegado à zona espiritual de trabalho e realização pelo esforço individual, apenas saboreavam gostosamente a perspectiva de haverem encontrado Guias invisíveis para a solução de todos os problemas do caminho humano.

À noite, quando o médium visitava a família, a conversação era quase sempre a mesma:

– Jerônimo – indagava Virgulino, curioso –, leu você aquelas apreciações evangélicas que mandei?

– Ainda não consegui – esclarecia o vizinho –, não posso saber o que ocorre. Tão logo tomo a leitura, sobrevém o sono imediatamente. As letras baralham-se diante dos meus olhos e as pálpebras se fecham, sem que eu possa atinar com a causa. Um verdadeiro fenômeno!

A essa altura, a esposa intervinha:

– Estou convicta de que se trata de influenciarão dos maus Espíritos. Jerônimo não era assim. Antes das noções espiritistas, estava bem disposto para divertir-se, sem esquecer o cinema e o teatro. Mas agora...

E antes que a mulher terminasse, voltava Jerônimo exibindo expressão de vítima:

– São coisas da vida!...

Virgulino compreendia bem a ausência de atenção sincera e, tentando imprimir novo aspecto ao quadro de impressões, perguntava, afetuoso, à dona da casa:

– E a senhora, Dona Ernestina? qual é a sua opinião referente à leitura?

– Oh! quem me dera tempo ao menos para rezar – respondia a interpelada, evidenciando dificuldades íntimas –, quanto mais para ler! Então o senhor julga que a casa me concede ocasião? Quando não é a cozinha que me requisita, é a sala que me pede atenção. Dum lado, está Jerônimo cheio de exigências ; do outro, os meninos cheios de caprichos. Ah! estes pirralhos!... quanto sofrem as mães neste mundo! já não sei como resistir.

E cruzava os braços, dando mostras de esgotamento.

Ante a paisagem sentimental, repleta de sombras e obstáculos, com desapontamento ensaiava o médium outro gênero de conversação. Comentavam-se as notas do dia. Todos haviam lido os jornais. As crianças aproximavam-se. Estavam a par do suicídio na vizinhança, do crime que se verificara no bairro, relacionavam amarguras de famílias diversas. Conheciam detalhes ignorados do repórter sagaz. A palestra vibrava. Nem Jerônimo sentia sono, nem Dona Ernestina experimentava angústia de tempo. E Virgulino, computando a bagagem de suas boas intenções, retirava-se entristecido. A situação, todavia, apresentava complicações crescentes. Na residência dos Castros, Espiritismo era recurso para aplicações de menor esforço. Guardava-se mesmo a impressão de que a família vagava em plano de profunda indiferença, no que dizia respeito à fé religiosa. Se um filho se tornava desatento, pela ausência de governo doméstico, chamavam o Virgulino; se Jerônimo atritava com os chefes de serviço pela própria ociosidade, buscavam o Virgulino; se uma das jovens da casa se excedia nas festas sociais, recorriam ao Virgulino. O médium não ocultava o doloroso abatimento. Não se passava um dia sequer, sem que os supostos convertidos apresentassem indagações intempestivas e inconvenientes, Dona Ernestina queria conhecer a intenção dos noivos que surgiam para as filhas, esclarecer intrigas da vizinhança, assinalar as pessoas defeituosas que lhe freqüentavam o ambiente doméstico, enquanto Jerônimo se interessava pelas promoções fáceis, pelos favores da sorte e condescendência dos seus chefes de serviço. De quando em quando, reclamavam do Rocha certas explicações, como se Virgulino fosse obrigado a se responsabilizar por todos os assuntos e questões da família.

Por que o Espiritismo era doutrina tão perseguida das demais confissões religiosas? Por que se restringia às reuniões, sem espetáculos para demonstrações públicas? Segundo os Castros, as procissões e outros ajuntamentos populares faziam falta. Via-se o médium em apuros na elucidação daqueles Espíritos preguiçosos.

Decorreram quatro anos. A situação, entretanto, piorava gradativamente. Jerônimo e os seus começaram a buscar Virgulino em sua oficina de trabalho.

– Agora, não posso – explicava-se o rapaz muito pálido, tentando desvencilhar-se.

– Oh! não foi o senhor quem nos levou para a Doutrina? – interrogava a jovem mais inquieta.

E lá se ia o nosso amigo para atividades mediúnicas sem propósito sério. Finalmente, certo dia, o chefe imediato de trabalho chamou-o, com bondade, para admoestação justa:

- Virgulino – disse, em tom grave –, sempre estimei em você o auxiliar competente e honesto. Jamais interferi nas crenças religiosas de meus subordinados, mas a sua ficha de serviço vem sendo prejudicada pelas saídas sem justificação. Desde muitos meses, suas obrigações passaram a ser olvidadas, na maior parte do dia.

Acredito chegado o tempo do reajuste. Sempre ensinei a todos que esta é uma casa de trabalho e realização.

O médium baixou os olhos, envergonhado, e respondeu tímido:

– O senhor tem razão.

Nessa noite chegou a casa, humilde, trancou-se no quarto e chorou, em longo desabafo.

Implorou sincera mente o socorro dos amigos espirituais. Foi quando reapareceu o antigo benfeitor invisível, exclamando:

– Por que choras, meu amigo? Cada qual recebe o que pede. Não desejavas uma lição prática?

Respondeu o médium, mentalmente, em lágrimas:

– Sempre fiz a propaganda da Verdade com sincera intenção de fazer o bem.

– Sim, Virgulino – voltava a dizer a amorosa entidade –, ensinar exemplificando é seguir os passos do Cristo, mas arrastar é perigoso. Além disso, Nosso Pai Celestial concedeu pés a todos os homens. Não será indispensável que cada um caminhe por si mesmo? Quem espalha a verdade, amando como Jesus amou, edifica na vida eterna ; mas quem arrasta uma criatura suportará naturalmente a carga pesada. Continua adubando e amparando as plantas que vicejam nos teus caminhos, mas não cometas o disparate de arrancá-las com violência!...

No dia seguinte, muito cedo, antes que Jerônimo se dirigisse à repartição, Virgulino bateu à porta dos Castros e, valendo-se do ensejo que reunia a família para o café matinal, explicou resoluto, em voz muito firme:

– Meus amigos, venho solicitar-lhes grande favor.

Não me procurem, doravante, na oficina do meu ganha-pão. Tenho ordens terminantes para não relaxar o serviço.

E antes que os ouvintes voltassem a si do espanto enorme, prosseguiu serenamente:

Não é só isso. Valho-me da oportunidade para apresentar-lhes minhas despedidas.

Circunstâncias imperiosas obrigam-me a transferir a residência.

– Que é isso, homem? – respondeu Jerônimo, pasmado – não podemos dispensar-lhe a companhia.

– Não é possível! – exclamava a filha mais velha – que será de nós todos doravante? Não foi o senhor quem nos levou para a doutrina dos Espíritos?

O médium não se deixou impressionar e esclareceu:

– Desfaçamos equívocos enquanto é tempo. Não precisam manter determinadas atitudes religiosas tão-somente para meu agrado. São livres para o caminho que melhor lhes pareça. Quanto a mim, devo conhecer minhas próprias necessidades. E nunca devemos esquecer que todos precisamos união cada vez mais intensa com o Cristo. Ele, sim, é a nossa companhia indispensável.

– Entretanto, são mais de quinze anos de vizinhança e convivência – aventurou Dona Ernestina, chorosa –, então isso não se levará em conta?

– Deus opera a mudança para o bem – esclareceu o visitante ao sopro de elevada inspiração.

E antes que os Castros acordassem do assombro, o vizinho esboçou um gesto de adeus e concluiu:

– Não tenho tempo a perder. Jesus os abençoe.

E depois de longas correrias pelos subúrbios, Virgulino Rocha contratou a cooperação de vários veículos de transporte e lá se foi com a família para os confins de Cascadura.





Pelo Espírito Irmão X - Do livro: Reportagens de Além Túmulo, Médium: Francisco Cândido Xavie

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dia Mundial da Água.


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A Água de Todos Nós
ONU — Organização das Nações Unidas — estabeleceu a data de 22 de março como o Dia Mundial da
Água. Na verdade, a homenagem é simbólica, porque o respeito a esse elemento e o reconhecimento dos
benefícios que traz ao homem são deveres de todas as horas.
A reverencia foi ressaltada pelo fato de, no dia citado, a mesma Organização ter realizado em Marrakesh,
Marrocos, um simpósio no qual foi feito um grave alerta ao mundo. Estudiosos do equilíbrio ecológico
afirmaram que em 2025 dois terços da população estarão vivendo em áreas com recursos hídricos escassos.
De nossa parte, questionamos: a água no Planeta é o bastante para a sobrevivência do ser humano? A
preocupação é relevante, sobretudo se levarmos em conta que daqui a 30 anos a falta dela estará relacionada
diretamente com o aumento populacional. Somos atualmente 5,7 bilhões de habitantes em todo o mundo. Em
menos de três décadas, a população será 50% maior.
A relação entre produção alimentícia e irrigação tomarseá
fundamental. Acreditase
até que a competição
pela água começará aí, já que para produzir alimentos em áreas irrigadas será necessário um volume de água
também na mesma proporção.
O maior problema para o homem é que o mundo não tem muita água disponível. Senão vejamos: 97% dos
1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água são salgados. Dos 3% restantes, 77% estão congelados nas regiões
polares e 22% são subterrâneos, o que já exigiria elevada soma de recursos para o aproveitamento.
Diante desses dados, sobra exatamente 1% de água potável na superfície para ser utilizada pela população
mundial. E aí surge outra questão: essa quantidade é suficiente? Resposta: seria, se a distribuição dela não
fosse desigual em todo o Planeta. As 200 bacias hidrográficas mais importantes do mundo estão localizadas
em áreas de fronteiras, o que significa ameaça de conflito, como os que ocorrem no Oriente Médio.
Nesse campo de graves ponderações, nós — latinoamericanos
— já oferecemos um valioso estudo ao
mundo, quanto aos recursos hídricos que a região possui. Aliás, a América Latina é o único continente a ter o
mapa desses recursos até agora.
De acordo com os números, o Peru, por exemplo, é o país mais pobre, com 1 .800 m3 per capita do
manancial. O Brasil tem boa quantidade — 33.700 m3 per capita. A maior preocupação, no entanto, é com a
situação dos grandes centros urbanos. Em São Paulo, 95% dos recursos já estão sendo utilizados, ou seja, se
a população aumentar, haverá déficit hídrico.
Contraste dos contrastes. Enquanto no Rio de Janeiro a situacão já caminha para uma crise de oferta, muito
embora estejam sendo estudados novos investimentos para atender à população, no Nordeste do País 40
milhões de pessoas vivem a seca constantemente.
Qual a solução mais barata, aplicável a curto e médio prazos? Planejar o uso da água. Educar as pessoas a
utilizála
sem desperdiçar, pensando no amanhã, ou na melhor maneira de aproveitar os imensos potenciais
que a natureza oferece como alternativa. Caso contrário, será preciso gastar bilhões de dólares para controlar,
em todo o mundo, o crescimento populacional.
O Espiritismo oferece alternativas eficazes para solucionar tal problema. E as sugestões não se restringem
apenas a diminuir o impacto dos efeitos, mas principalmente a trabalhar nas causas, o que nos leva
diretamente ao centro da emoção humana, geradora das principais alterações que o clima do Planeta já sofreu
em sua história.
A rigor, a Doutrina atua com profundidade não só no genérico da educação integral, mas igualmente no
especifico das questões particulares, ao elaborar respostas consistentes a temas definidos.
Quando propõe uma conduta nobre diante do uso adequado da água, atinge igualmente a perspectiva do
equilíbrio perante a natureza em geral, ou diante das inúmeras formas de vida existentes, incluindo aí o ser
humano, tão necessitado de respeito e compreensão.
Amadurecimento e tomada de consciência. Postura responsável na vida e no tempo, visando às
conseqüências positivas de uma atitude equilibrada. Compreensão justa das mínimas ações, pretendendo a
paz e a fraternidade coletivas. Eis os princípios básicos que refletem as opções do espírita desperto, diante
dos desafios que surgem na jornada difícil da vida.
Aproveitando o assunto em tela, vale relembrar o diálogo entre André Luiz e Lísias, no capítulo 10 de
“Nosso Lar”, referente à importância com que a água é vista e tratada no Mundo Espiritual. Em determinado
momento, quando estão em excursão pela colônia, os dois param para descansar no Bosque das Águas.
O amigo que recebera o médico desencarnado em sua própria casa, como prova de carinho e amizade,
comentou:
— Na Terra quase ninguém cogita seriamente de conhecer a importância da água. Em “Nosso Lar”,
aprendemos a agradecer ao Pai e aos seus divinos colaboradores semelhante dádiva. (...) A água é veículo
21/02/2017 :::Centro Espírita Caminhos de Luz Mensagem:::
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dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui, ela é empregada sobretudo como alimento e
remédio. (...) Cabe aos ministros da União Divina a magnetização geral das águas do Rio Azul, a fim de que
sirvam a todos os habitantes de Nosso Lar, com a pureza imprescindível.
Ampliando os esclarecimentos a André Luiz, Lísias acrescenta:
— O homem é desatento há muitos séculos. O mar equilibralhe
a moradia planetária, o elemento aquoso
fornecelhe
o corpo físico, a chuva dálhe
o pão, o rio organizalhe
a cidade, a presença da água oferecelhe
a
bênção do lar e do serviço, mas ele não lhe reconhece os benefícios. Virá tempo, no entanto, em que copiará
nossos serviços, encarecendo a importância dessa dádiva.
Concluindo a explicação, disse: — A água no mundo, meu amigo, não somente carreia os resíduos dos
corpos, mas também as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos
generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênção de vida, mas constituirá
igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens,
lavandolhes
a casa material e purificandolhes
a atmosfera íntima.(*)
A sugestão é válida para a urgência de nossas necessidades básicas. Que o homem do mundo a escute, um
dia, principalmente porque haverá de ver semelhante respeito exemplificado no comportamento sadio dos
espíritas conscientes.
Carlos Augusto Abranches
Fonte::Centro Espírita Caminhos de Luz Mensagem:::
http://www.caminhosluz.com.br

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017


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    A Transição do Planeta Terra

    Por:Autor
    • Bezerra de Menezes

    “A população terrestre alcança a passos largos o expressivo número de sete bilhões de seres reencarnados simultaneamente, disputando a oportunidade da evolução...

    Embora as grandes aquisições do conhecimento tecnológico e dos avanços da ciência na sua multiplicidade de áreas, nestes dias conturbados os valores transcendentes não têm recebido a necessária consideração dos estudiosos que se dedicam à análise e à promoção dos recursos humanos, vivendo mais preocupados com as técnicas do que com o comportamento moral, que é de suma importância. Por isso, a herança que se transfere para as gerações novas que ora habitam o planeta diz mais respeito à ganância, ao prazer dos sentidos físicos, à conquista de espaço de qualquer maneira, dando lugar à violência e à desordem...

    Têm ocupado lugar o materialismo e o utilitarismo, contexto em que muitos comprazem-se distantes da solidariedade, da compaixão e dos espírito fraternal, ante a dificuldade da real vivência do amor, conforme ensinado e vivido por Jesus.

    Os indivíduos parecem anestesiados em relação aos tesouros da alma, com as exceções compreensíveis.

    Felizmente, o fim do mundo de que falam as profecias refere-se àquele de natureza moral, com a ocorrência natural de sucessos trágicos que arrebatarão comunidades, facultando a renovação, que a ausência do amor não consegue lograr como seria de desejar...

    Esses fenômenos não se encontram programados para tal ou qual período, num fatalismo aterrador como muitos que ignoram a extensão do amor de Nosso Pai divulgam,mas para um largo período de transformações, adaptações, acontecimentos favoráveis à vigência da ordem e da solidariedade entre todos os seres.

    É compreensível, portanto, que a ocorrência mais grave esteja, de certo modo, a depender do livre-arbítrio das próprias criaturas humanas, cuja conduta poderá apressar ou retardar a sua constituição, suavizando-a ou agravando-a...

    Se as mentes, ao invés do egoísmo, da insensatez e da perversidade, emitissem ondas de bondade e de compaixão, de amor e de misericórdia, certamente o panorama na Terra seria outro.

    Compreendendo-se a transitoriedade da experiência física, no futuro a psicosfera do planeta será muito diferente porque as emissões do pensamento alterarão as faixas vibratórias atuais que contribuirão para a harmonia de todos e para o aproveitamento do tempo disponível.

    amor de Nosso Pai e a ternura de Jesus para com o Seu rebanho diminuirão a gravidade dos acontecimentos, mediante também a compaixão e a misericórdia, embora a severidade da lei do progresso.

    Todos nos encontramos, desencarnados e encarnados, comprometidos com o programa da transição planetária para melhor. Por essa razão, todos devemos empenhar-nos no trabalho de transformação moral interior, envolvendo-nos em luz, de modo que nenhuma treva possa causar-nos transtorno ou levar-nos a dificultar a marcha da evolução.

    Certamente, os espíritos fixados nas paixões degradantes sintonizarão com ondas vibratórias próprias a mundos inferiores, para eles transferindo-se por sintonia, onde se tornarão trabalhadores positivos pelos recursos que já possuem em relação a essas regiões atrasadas nas quais aprenderão as lições da humildade e do bem proceder. Tudo se encadeia nas leis divinas, nunca faltando recursos superiores para o desenvolvimento moral do espírito.

    Nesse imenso processo de transformação molecular até a conquista da angelitude, há vários meios propiciatórios para o crescimento intelecto-moral, sem as graves injunções desagradáveis. Todos esses meios, entretanto, têm como base o amor e o trabalho.

    Assim, a divulgação do Espiritismo é de fundamental importância por demonstrar a todos a imortalidade, a justiça divina, a mediunidade, os mecanismos de valorização da experiência na reencarnação e o imenso significado de cada momento existencial. Desse modo, convidemos a todos o aprendizado pelo amor, à reflexão e ao labor da caridade fraternal com que se enriquecerão, preparando-se para a libertação inevitável pela desencarnação, quando ocorrer.

    Louvar e agradecer ao Senhor do Universo pela glória da vida que nos é concedida e suplicar-Lhe auxílio para sermos fiéis aos postulados do pensamento de Jesus, nosso Mestre e Guia, constituem deveres nossos em todos os momentos.

    Entretanto, todos os trabalhadores do bem devem atentar para o fato de que experimentarão o aguilhão da dificuldade, sofrerão o apodo e a incompreensão desenfreada que têm sido preservados pela invigilância dos que nada contribuem.

    Todos serão chamados ao sacrifício, de alguma forma, a fim de demonstrarem a excelência dos conteúdos evangélicos, considerando-se, por um lado, as injunções pessoais que exigem reparação e, por outro, a fidelidade que pede confirmação pelo exemplo.

    Que se não estranhem as dificuldades que se apresentam inesperadamente, causando, não poucas vezes, surpresa e angústia. Por isso, o refúgio da ração apresenta-se o lugar seguro para reabastecer as forças e seguir com alegria.

    As entidades que se comprazem na volúpia da vampirização das energias dos encarnados distraídos e insensatos, voltam-se contra os emissários de Jesus onde se encontrem, gerando conflitos em sua volta e agredindo-os com ferocidade. O trabalhador do Mestre, por sua vez, deve voltar-se para a alegria do serviço, agradecendo aos Céus a oportunidade autoiluminativa, sem que nisso ocorra qualquer expressão de masoquismo. Aliás, constitui-nos uma honra qualquer sofrimento por amor ao ideal da verdade, à construção do mundo novo.

    Que o discernimento superior possa assinalar-nos a todos, e que os mais valiosos recursos que se possuam sejam colocados à disposição do Senhor da Vinha que segue à frente.”

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quem são os dragões


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Quem são os dragões?É a mais antiga comunidade da maldade que se organizou socialmente nas regiões chamadas subcrostais ou submundo astral. Segundo o romance, ela existe há 10 mil anos.Essa comunidade, administrada por inteligências do mal, criou a Cidade do Poder e sua hierarquia é composta pelos “dragões” legionários, justiceiros e conselheiros. São espíritos que fazem o mal intencionalmente.

Arrogância! Orgulho! Egoísmo! As velhas doenças morais de todos nós.
 Fechado em si mesmo pelo egocentrismo milenar, pensando acima de tudo e antes de tudo em si próprio, o espírito termina por instalar na intimidade um profundo desamor a si mesmo. Isso porque a Lei Divina
inderrogável é o amor, a forma mais correta de pensar e agir em nosso próprio favor.
O egoísmo é prisão.
O amor é libertação.
Oegoísmo é circuito energético endógeno.
O amor é força centrífuga de expansão.
 Esse fechamento vibratório cria correntes pesadas de energia capazes de prender o ser em padecimentos íntimos dolorosos.
O espírito interessado em alguma mudança demonstra cansado de si mesmo. Esse cansaço da
alma é o estopim de retorno do Filho Pródigo. Quando ocorre, queremos algo novo. Desejamos sinceramente novos caminhos.
Quando queremos mudar verdadeiramente, no princípio, nem nós próprios sabemos o que ocorre. Há uma fase mais ou menos longa de tristeza dilacerante e confusão nas intenções. Não queremos mais ser quem éramos, contudo, não sabemos quem queremos ser ou como vamos ser quem queremos. O espírito fica em um estado de arrependimento vazio. Aquele em que nada se faz para ir adiante e refazer os caminhos.
Puro remorso. Por isso, um preparo sólido antes do retorno ao corpo será necessário. Uma missão aguarda o espírito. O trabalho de reparação será sua fonte de saúde.
artigo 16°, do capítulo 7, de O Céu e o Inferno.
 "O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação."
"Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. A expiação é a reunião das dores psicológicas inerentes ao crescimento moral e a reparação é o trabalho de reerguimento consciencial por intermédio da benevolência aplicada em favor do próximo."
Nesse passo, torna-se indispensável a reencarnação. Um novo corpo. Uma nova identidade. A chance de ter atenuada a ação expiatória das lembranças dolorosas que lhe assaltam a memória.
Reencarnar é aliviar, livrar-se do ônus contínuo da recordação aprisionante.
Mas ele não esquecerá tudo. Ainda terá algumas lembranças.Suas lembranças no corpo serão em forma de sentimentos que vai experimentar. É o que o que o livro O Céu e o Inferno chama de expiação. Cada recordação que se fixa na tela mental, tem no seu bojo um quantum energético de afetividade.
Que sentimentos ele vai vivenciar?
— O aspecto emocional fundamental dos espíritos que se assumem psicologicamente como dragões é o sentimento de inferioridade, abandono e falibilidade, que são o piso para os estados emocionais de indignidade e fragilidade. Aqueles que conseguem camuflar tais expressões do afeto pela força mental mantêm-se na condição de tiranos da instabilidade alheia. Ninguém consegue, todavia, destruir tais condições íntimas inerentes ao ser espiritual. Um dia esse quantum afetivo exterioriza-se, espraia-se e cria um colapso na vida mental.
Vai experimentar seus medos, estado crônico de culpa e baixa autoestima, reflexos inevitáveis dos milênios na arrogância.
Sua dor interior mais cruel será a necessidade de aprovação alheia. Os dragões são submetidos a hipnoses que lhes subtraem o poder da vontade. Ele terá enormes obstáculos para reconhecer suas verdadeiras intenções e desejos, permitindo-se ser guiado, até certa fase da vida, conquanto tenha vasta sede de conquistas novas e objetivos pessoais. Uma neurótica necessidade de aprovação social o perseguirá até que tenha a coragem de assumir a gerência do próprio mundo íntimo. Por incapacidade de gerir sua vida interior,
estará sempre em busca de apoio e orientação. Isso lhe custará certamente muitas decepções e desastres na vida interpessoal, devido a exacerbadas expectativas que irá criar em relação ao mundo que o cerca. Pais, amigos, tutores e quaisquer relacionamentos serão carregados de conflitos em razão da sua indefinição pessoal. A isso denominamos expiação interior, algo inevitável e intransferível.
Além disso, o espírito travará uma dor profunda no reconhecimento de sua fragilidade. Isso lhe trará uma sensação de abandono e solidão, com efeitos no estado de humor que, quase sempre, será um traço de tristeza e irritação, ingredientes da insatisfação crônica.
Espíritos que assim reencarnam guardam forte tendência a negar o próprio corpo e os cuidados com a vida material, decorrente de uma rejeição inconsciente às suas reencarnações. Toma-lhes uma apatia
em relação a quaisquer ideais de melhora. Essa tendência costuma manifestar-se em forma de conflitos perturbadores com assuntos da vida na matéria, como dinheiro, estética física, diversão social,
sexualidade e administração das posses pessoais. Além disso, muitos condicionamentos religiosos de clausura e puritanismo com relação à vida social vão assolar seu caminho desde a juventude até a madureza.

Os Dragões de Maria Modesto Cravo psicografia/ Wanderley OliveirA


Origem deste  artigo:http://www.espiritbook.com.br/profiles/blog/show?id=6387740%3ABlogPost%3A2556182&xgs=1&xg_source=msg_share_post

terça-feira, 11 de outubro de 2016



PLÁSTICAS na VISÃO ESPÍRITA : ESTÉTICA, VAIDADE OU AUTOESTIMA ?

alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos” (MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40).
Importante à exortação do Cristo, complementando a excelsa lição, dizendo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O ensinamento é bem claro, porquanto é imperioso que o
indivíduo queira muito bem a outrem, na mesma proporção em que aprecia a si próprio. Sendo capaz de amar-se, é possível, igualmente, ser propenso a ter afeição pelo próximo. Portanto é
imperioso que a autoestima esteja em alta e o ser esteja bem consigo mesmo. Além dos cuidados de higiene, alimentação e lazer, não podemos nos descuidar da aparência, utilizando-nos, com equilíbrio, sem excesso, dos recursos modernos proporcionados pela medicina, como o Laser, o Botox (medicamento injetável que relaxa a musculatura, fazendo com que as marcas de expressão e rugas fiquem menos acentuadas), aplicação de substâncias de preenchimentos e cremes cosmetológicos, na dermatologia estética, e os implantes, a lipoaspiração e o embelezamento facial, na cirurgia plástica.
Não devemos nos esquecer dos idosos, que deveriam receber amplamente todos os cuidados médicos atuais, porquanto são acometidos, no decorrer dos anos, de acentuada desidratação e perda de elasticidade da pele, como igualmente de queda acentuada dos níveis hormonais, ressaltando também a grande tendência ao insulamento e à depressão. Ainda mais, cada vez mais se nota a sociedade dando ênfase à desvalorização da velhice, desconsiderando os valores gerontocráticos e, infelizmente, associando produtividade e vitalidade a uma aparência jovial.
Se alguém pode utilizar a tecnologia atual para a melhoria de sua aparência, atenuando as alterações de envelhecimento, por que não fazê-lo? Na medida em que reforça sua autoestima, melhorando a autoconfiança, mais apto estará para a vida. Então, mais inclinado e disposto a "amar o próximo como a si mesmo".
É importante não confundir esse sentimento de autoafeição com vaidade, a qual denota o desejo inveterado de atrair admiração ou homenagem, coisa fútil e frívola.
O Espiritismo, sendo o Consolador prometido por Jesus, de maneira alguma pode ser apontado como castrador, punitivo e contrário ao progresso atual. O desenvolvimento científico
em grande escala, principalmente na área da medicina, canalizado para o bem da criatura, é de fato concessão da Providência Divina.
O bondoso médium Francisco Cândido Xavier dá sua opinião acerca da correção de problemas estéticos, através da cirurgia plástica: "Nós pensamos com os amigos que se comunicam conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência inteira. Chega o momento em que esta provação pode ser extinta e renovada para o bem, reformada para a felicidade da criatura.

"A cirurgia plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício de nós outros, porque muitos de nós precisamos do rosto mais ou menos bem composto, das pernas fortes ou
mesmo de outros sinais morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa. "Conheço uma amiga que é manequim e ganha a vida para sustentar o marido que está num sanatório. Por que razão impedir que ela faça a cirurgia plástica nos seios, quando estes estão defeituosos?" (Extraído do jornal "Folha Espírita", outubro de 1996). Alguns profitentes mais conservadores da Doutrina codificada por Kardec manifestam desagrado e repúdio às inovações científicas que visam ao embelezamento e ao rejuvenescimento da criatura humana.
Lembro-me que, após assistir proveitosa palestra de cunho doutrinário espírita, uma pessoa abordou-me, manifestando desagrado por constatar que o orador apresentava cabelos
tingidos. À irmã, a qual confundia autoestima com vaidade, disse que recursos modernos, possibilitando remoçar os velhos, deveriam ser cada vez mais utilizados. Citei também os textos evangélicos sobre o "Maior Mandamento", frisando-lhe,
igualmente, que deixasse de observar comportamentos e atitudes do próximo e olhasse especificamente para si própria, como advertiu o Cristo no Sermão da Montanha (Mateus 7:1- 5).
Podem alguns conservantistas utilizar princípios doutrinários espíritas para justificação da sua hostilidade à correção estética, afirmando que não adianta reparar defeitos na vestimenta
orgânica, sem atuação em nível de perispírito, isto é, faz-se uma correção no corpo físico, esquecendo-se do envoltório espiritual, que se mantém inalterável. Será bem isso?
A Codificação Kardeciana ensina exatamente o contrário, dizendo que a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo somático. Sendo, portanto, flexível e expansível, a forma que toma não é absoluta, amoldando-se à vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda. O envoltório extrafísico se dilata ou contrai, se transforma: presta-se a todas as metamorfoses de acordo com a vontade que sobre ele atua (O Livro dos Médiuns, pág. 73 - Edição FEB).
A mesma intensidade de pensamento que leva o indivíduo a buscar o rejuvenescimento na arena física pode agir de forma idêntica na intimidade perispiritual. Em verdade, a vestimenta extrafísica do ser é resultante do que pensa e faz, segundo a
força da sua vontade e consonante o grau evolutivo em que se encontra, como criatura imortal diante da Eternidade. Portanto, se a casca tornou-se jovem, o miolo pode acompanhar também o
processo. Na realidade, a jovialidade, qualquer que seja a idade cronológica, é atributo do Espírito.

Fonte: Dr. Americo Domingos Nunes Filho - Médico-Esp. do RJ

domingo, 28 de agosto de 2016

É preciso saber dormir



É preciso saber dormir
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“– Não, o Espírito nunca fica inativo. Durante o sono, os laços que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo não precisa do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos.” (1)
Esta resposta, dada pelos Espíritos responsáveis pela implantação do Consolador Prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo (2) na Terra, merece reflexão aprofundada.
O corpo físico é instrumento do espírito para que este, através da vida de relação, possa cumprir com seu programa reencarnatorio, e tem, necessariamente, que se colocar em repouso para recuperar-se dos desgastes provocados pelo estado de vigília.
Dessa forma, ao dormir, o espírito não tem necessidade de permanecer junto ao corpo que descansa, embora essa seja uma ocorrência muito comum entre nós, por conta do condicionamento psicológico e da pouca consciência das possibilidades do espírito e da existência do mundo espiritual.
Vale também, para esse caso, o esclarecimento do Senhor Jesus:
“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” (3)
Como o céu não tem uma localização geográfica física, devemos entendê-lo como mundo espiritual, e portanto, segundo Jesus, os valores, viciações e paixões, físicas e morais que o espírito tem em si na vida corporal, também as terá no mundo espiritual quando desdobrado do corpo físico, seja enquanto o corpo dorme, ou quando em estado de desencarnado após o falecimento deste.
Os Espíritos Superiores nos dão vários esclarecimentos a respeito do estado de desprendimento do espírito quando do sono do corpo(4):
“Quando o corpo repousa, o Espírito tem mais condições de exercer seus dons, faculdades do que em vigília; tem a lembrança do passado e algumas vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com outros Espíritos, neste mundo ou em outro.”
“Durante o sono, reúnem-se à sociedade de outros seres superiores e com eles viajam, conversam e se instruem;trabalham até mesmo em obras que depois encontram prontas, quando, pelo desencarne, retornam ao mundo espiritual.”
“Isso deve vos ensinar uma vez mais a não temer a morte, uma vez que morreis todos os dias”
“…mas para o grande número de homens que, ao desencarnar, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os evocam, ou vão procurar prazeres talvez ainda mais baixos que os que têm aí; vão se envolver com doutrinas ainda mais desprezíveis, ordinárias e nocivas que as que professam em vosso meio.”
Há, na Doutrina Espírita, todos os esclarecimentos necessários à nossa conscientização a respeito da nossa natureza espiritual. Basta um pouco mais de boa vontade no sentido de nos instruirmos, para que consigamos tirar proveito maior não só do estado de vigília, mas também enquanto o corpo físico dorme.
Dessa forma, não só “é preciso saber viver”, como diz a letra de música muito conhecida, como também “é preciso saber dormir”.
Se quisermos boas companhias espirituais, e com eles visitar lugares e pessoas que nos são caros, estudar e trabalhar em benefício do nosso progresso espiritual, será preciso preparo constante através do bom comportamento moral e emocional durante o período de vigília, e principalmente o exercício da oração sincera antes de dormirmos, com a necessária solicitação ao Espírito Protetor para que ele nos conduza segundo nossos reais interesses na vida.
Por último, para os que carregamos muito de misticismo e imaginação em relação aos sonhos, convém prestarmos atenção a seguinte questão proposta por Allan Kardec aos Espíritos Superiores:
O que pensar da significação atribuída aos sonhos?
– Os sonhos não têm o significado que certos adivinhos lhes atribuem. É um absurdo acreditar que sonhar com isso significa aquilo…(5)
Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro
Sobre o autor:
Antônio Carlos Navarro  é membro da Rede Amigo Espírita, estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.