Meus Amigos

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O carro mergulhador

                                         



Na década de 90, eu mais um grupo de 14 pessoas fazíamos parte da equipe de voluntários da LBV, da tão conhecida "Ronda da Caridade", e realizávamos já a algum tempo assistencia a uma comunidade carente na periferia da nossa cidade todas as terças feira. Desta convivência, muitos casos interessantes ocorreram, dignos de nota, principalmente pela declarada e inequívoca proteção espiritual, sempre presente, e pressentida pelo grupo.
Quero ressaltar aqui, dois companheiros por homenagens póstumas que dignificaram o nosso trabalho: A irmã Claudenice voluntária cozinheira da sopa da Ronda, e o irmão José Mariano, nosso amoroso motorista; aos dois a nosso gratidão eterna.
Bem vamos ao caso de hoje: _ Era dia de Ronda; distribuição de sopas, calçados, roupas, curativos,entrega de coisas como remédios,etc, detectadas na visitas anteriores e conseguidas como doações dos que tem boa vontate de coração.
H[a tanta gente que auxilia sem saber a quem! Sem elas, seria  difícil realizar um trabalho tão bom como o que realiza a LBV, no Brasil e no mundo.
 Ao chegar no local, surpresos vimos um carro submerso em uma valeta cheia de água.
Eu disse água? Não. Era barro.
Já conhecíamos o lugar e as características estratégicas de seus moradores.
Sabíamos do hábito de interrupção de um acesso, a comunidade, para evitar a entrada da polícia no local.
Local, na época comandado pelo tráfico, com quem nosso coordenador  teve que negociar para que permitissem o nosso acesso, desde que não interferíssemos em 'suas coisas'. Em contra partida, tivemos deles; da chefia através do seu porta vóz, (não tivemos contato direto com nenhum chefão), o acordo de não envolverem crianças menores nas suas atividades, e assim protegê-las.
Assim, tínhamos liberdade para realizar nosso trabalho, sem problema.
Dias antes, havíamos deparado com enormes troncos de árvores cortados em forma de toretes, colocados extratégicamente na entrada da comunidade.
Mas naquela tarde, teríamos uma experiencia inusitada. Teríamos a companhia de uma equipe da TV da capital, que faria os registros dos trabalhos ali realizados. Já fôramos sido avisados, mas não havíamos nos encontrado.
Chegamos, deparamos com a cena, choveram os palpites de como retirar o carro do buraco. Puxa, estica, empurra, levanta, acelera e nada. O carro teimosamente permanecia imóvel no seu banho de lama.
Carro branco novo, do ano, enterrado naquela piscina marrom.
O tempo passando, noite se anunciando, precisávamos seguir com os atendimentos.
Assim, a equipe resolveu seguir em frente com seu trabalho programado, filmando e entrevistando os assistidos semanalmente pela "Ronda da Caridade" (Estamos falando da LBV), deixando o problema do carro, para um guincho.
Assim, seguimos adiante, deixando do o carro sozinho no seu mergulho. Quando estávamos bem no centro da comunidade, e separados da equipe, que ficara com uma  outra parte do grupo numa residência, vislumbrei na viela escura, pois que a noite caíra de todo, e raro eram os pontos iluminados no local, a equipe te TV, que usavam, basicamente jeans, com camisetas pretas, tornando sua visualização difícil naquele ambiente, e diferentes de nós que vestíamos os tão conhecidos jalecos amarelos, com o grande coração azul, contornado com a corrente, já tão conhecido de todos ali.
Vinham em nossa direção, porém fora do alcance para qualquer aviso verbal e na escuridão. Ao mesmo tempo, em sentido contrário e também fora do alcance de contato verbal , vinham em nossa direção, um grupo de homens silenciosos, todos portando armas pesadas e grandes, (não sei identificar por nome nenhuma delas, e nem tenho interesse em saber, na verdade tenho um só sentimento com relação a armas: pavor.)
O receio foi gelou-me as entranhas.
Em condições adversas, as vezes o silencio salva. Por isso, nem eu nem nosso coordenador disse uma palavra sequer.
 Olhei para nosso coordenador o João  Nery Pestana, que entendeu minha preocupação, e me enviou um olhar tranquilizador. Não me pergunte, como, mas eu senti, e me acalmei.  Na possição em que estávamos somente nós dois percebemos a situação; estávamos em quatro ou cinco, voluntários e uns poucos moradores. Porém o perigo, era eminente e quase sem solução, sabia que poderíamos ter um momento complicado ali.
Qualquer atitudes de repente, poderia culminar num desastre. Não daria tempo, para que a equipe,portando equipamentos escuros que poderiam facilmente ser confundido com armas também, atingisse a área iluminada, e que fatalmente dariam de cara com os homens armados, que convergiam de vários pontos para aquela direção, e não havia outro caminho, a não ser, passar por nós, seguindo na direção da equipe de TV.
Todos seria pegos de surpresa. Ao passarem na nossa frente, mais uns dois metros, um deles se virou para a direita, em meio ao mato, e os demais o seguiram, num  silencio apenas quebrado pelos sussurros  costumeiro "Paz do Senhor!". Quase nem acreditamos.
Não havia ali um caminho propriamente dito, nem uma saída visível, era fundo de um quintal, sem portão, sem passagem a vista.
Para onde iriam? Até hoje não entendi.
Quando o último homem virou para entrar no mato seguindo os demais, a equipe de TV, surgia na área iluminada, carregando seus equipamentos que como disse, bem poderia ser confundido com armas, também. Creio hoje, que esses rapazes, nunca souberam do tamanho do perigo que correram naquela noite, pois até o final de nossa estada ali, ninguém fez nenhum comentário a respeito, e saímos dali sem nenhum contato com eles, que voltariam direto para a capital, pois eles são muito profissionais, e assim como os voluntários, não perdem tempo. Valorizando cada momento disponível para fazer o Bem, da melhor forma possível."Fazer o Bem Naturalmente", como diz nosso Diretor Presidente O Jornalista Educador José de Paiva Netto.
Anotei esses fatos na forma de rascunho,a mais de uma década e hoje , assim como naquele dia,tenho a certeza de que tivemos uma prova incontestável da presença, do amparo e da proteção do Alto, pois nenhum dos incidentes pertubou o nosso trabalho ou da equipe de TV naquela noite.
E mais, ao final, retornamos para os carros, e qual não foi a surpresa ao encontrarmos o"mergulhor teimoso" devidamente estacionado na guia, e pasmem; limpo como um bebê. Ninguém a vista, nenhuma cobrança ou explicação.
Respiramos felizes, tomamos nossos lugares nas conduções e agradecemos com sentida prece a Deus, a Jesus por mais uma tarefa cumprida, e retornamos para nossos lares.



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