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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O Brasil e sua Missão


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O Brasil e sua Missão


Meus filhos: 

Prossegue o Brasil na sua missão histórica de “Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do Mundo”. 

Nem a tempestade de pessimismo que avassala, nem a vaga de dúvida que açoita os corações da nacionalidade brasileira impedirão que se consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao seu destino espiritual. Apesar dos graves problemas que nos comprometem em relação ao porvir – não obstante o cepticismo que desgoverna as mentes em relação aos dias do amanhã – o Brasil será pulsante coração espiritual da Humanidade, encravado na palavra libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho restaurado pelos Benfeitores da Humanidade. 

Não se confunda missão histórica do País com a competição lamentável, em relação às megalópoles do mundo, que triunfam sobre as lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela política financeira e econômica internacional. 

Não se pretenda colocar o Brasil no comando intelectual do Orbe terrestre, através de celebrações privilegiadas que se encarreguem de deflagrar as guerras de aniquilamento da vida física. 

Não se tenham em mente a construção de um povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo exterior, caracterizando-se como primeiro no concerto das nações.

Consideremos a advertência de Jesus, quando se reporta que “os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros”. 

Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-econômica que envolve as grandes cidades brasileiras alarma a consciência nacional. A disputa pela venda de armas, que vem colocando o País na cabeceira da fila dos exportadores da morte, inquieta-nos. Inegável a nossa preocupação ante a onda crescente de violência e de agressividade urbana... 

Sem dúvida, os fatores do desrespeito à consciência nacional e a maneira incorreta com que atuam alguns homens nas posições relevantes e representativas do País fazem que o vejamos, momentaneamente, em uma situação de derrocada irreversível. 

Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma hora de enfermidades graves em toda a Terra, na qual, o vírus da descrença gera as doenças do sofrimento individual e coletivo, chamando o homem a novas reflexões. 

A História se repete!... 

As grandes nações do passado, que escravizaram o mundo mediterrâneo, não se eximiram à derrocada das suas edificações, ao fracasso dos seus propósitos e programas; assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; egípcios e persas guardam, nos monumentos açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as marcas da falência pomposa, das glórias de um dia; a Hélade, de circunferência em torno das suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de ilusório poder, porém, milênios de fracassos bélicos e desgraças políticas. 

As maravilhas da Humanidade reduziram-se a escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado por um terremoto; o Túmulo de Mausolo arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua colossal foram reduzidos a poeira; os jardins suspensos de Semíramis arrebentaram-se e ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das camadas de areia sucessivas da história. Assim, aconteceu com outros tantos monumentos que assinalaram uma época, porém foram fogos-fátuos de um dia ou névoa que a ardência da sucessão dos séculos se encarregou de demitizar e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos. 

O Brasil recebeu das Suas mãos, através de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para re restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção. 

Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, silenciando a vaga do pessimismo que grassa e não colocando o combustível da descrença, nem das informações malsãs, nas labaredas crepitantes deste fim de século prenunciador de uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo de perlustrar. 

Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos propósitos superiores. 

Divulgá-lO, vivo e atuante, no espírito da Codificação Espírita, é compromisso impostergável, que cada um de nós deve realizar com perfeita consciência de dever, sem nos deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e pela inutilidade aplaudida. 

Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, preferiu o madeiro de humilhação à convivência agradável com a insensatez; de quem, vindo para viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde modificar a pulcridade dos sentimentos e a excelsitude da mensagem. Ser espírita é ser cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em toda a intensidade do compromisso, caindo e levantando, desconjuntando os joelhos e retificando os passos, remendando as carnes dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si mesmo e da Era do Espírito Imortal. 

Chamados para essa luta que começa no país da consciência e se exterioriza na indimensionalidade geográfica, além das fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. Perseverai para receberdes a eleição de servidores fiéis que perderam tudo, menos a honra de servir; que padeceram, imolados na cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos páramos da plenitude. 

Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gentis e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio da noite. 

Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e Caridade” insculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas, sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não ficar mal colocada no grupo social da ilusão. 

Agora, quando se abrem as portas para apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela seja vista em vossa conduta, para que seja sentida em vossas realizações e para que seja experimentada nas Casas que momentaneamente administrais, mas que são dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de vós, de todos nós. 

O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em nome da solidariedade. 

Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que permanece conosco -, e o Guia para amanhã – que nos convida a tomar do Seu fardo e receber o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a paz. 

Muita paz, meus filhos! 

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,




Bezerra de Menezes

terça-feira, 20 de março de 2018

Falando à Terra


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Falando à Terra
Nunca me honrei com aplausos e louros, que os não mereci, mas vigiei, quanto pude, na preparação de tua vitória, exercendo o ministério do direito a que te afeiçoaste, desde o sonho impreciso dos missionários expatriados que te marcaram as primeiras linhas de evolução, voltados para o esplendor da Igreja primitiva. Incorporando-te à essência de meu sangue e de meu ideal, confiei-me - célula microscópica - à tua grandeza imperecível e tomei assento nas lides da palavra e da pena, nos tribunais e nas praças, na guerra sem quartel daqueles que não conhecem o conselho dos generais, nem o apoio das baionetas. 
Por ti, suportei, orgulhoso, o peso de asfixiantes responsabilidades que me feriram os ombros e me iluminaram o coração, na evidência e na obscuridade, aprendendo e sofrendo contigo, na escola da igualdade, da tolerância e da justiça.
E agora, que a ciência mortífera grava transitória supremacia nos regimes, estimulando a política da força pelo triunfo numérico; que a perversidade da inteligência lança o descrédito nos fundamentos morais do mundo; que a crise do caráter emite vagas negras de perturbação e desordem; que a toga desce da majestade dos seus princípios, para dourar os instintos da barbárie nos tremendos conflitos internacionais que se agigantam no século; que a moral religiosa concorre ao pleito de dominação indébita, imergindo nas trevas da discórdia as consciências que lhe cabe dirigir; que a doutrina do sílex substitui os tratados nas guerras sem declaração; que os dogmas de todos os matizes se insinuam nas conquistas ideológicas da Humanidade, preconizando a mordaça e o obscurantismo - agora ponho meus olhos em teu vasto futuro...
Possa continuar ecoando em teus santuários e parlamentos, cidades e vilarejos, vales e montanhas, florestas e caminhos, a palavra imortal do Mestre da Galiléia!
Conserva a tua vocação de fraternidade, para que os mananciais da bênção divina jorrem luz e paz sobre a tua fronte dignificada pelo esforço cristão na concórdia e na atividade fecunda. Guarda o teu augusto patrimônio de liberdade a distância de todos os gigantes do terror, dos deuses da carniça e dos gênios da brutalidade, que tentam ressuscitar os fósseis da tirania. 
Elege o trabalho por bússola do progresso e da ordem, porque de tuas arcas dadivosas manará novo alimento para o mundo irredimido. Templo de solidariedade humana, teu ministério de pacificação e redenção apenas começa... Novo hino será desferido por tua voz no coro das nações. Nem Atenas adornada de filósofos, nem Esparta pejada de guerreiros. Nem estátuas impassíveis, nem espadas contundentes. Nem Roma, nem Cartago. senhores, nem escravos.
Desdobrem-se, isto sim, em teu solo amoroso os ramos viridentes da Árvore ao Evangelho, a cuja sombra inviolável se mitigue a sede multimilenar do homem fatigado e deprimido! Desfralda o estrelado pavilhão que te assinala os destinos e não te quebrantes à frente dos espetáculos cruentos, em que os povos desprevenidos da atualidade erguem cenotáfios e ossuários a própria grandeza. 
Descerra hospitaleiras portas aos ideais da bondade construtiva, do perdão edificante, do ilimitado bem, porque somos em ti a família venturosa do Cristianismo restaurado, e, por amor, se necessário, mil vezes nos confundiremos no pó abençoado e anônimo dos teus caminhos floridos de esperança, empunhando o código da justiça para o exercício varonil do direito, emergindo das sombras da morte - celeiro sublime da vida renascente.
Grande Brasil! Berço de triunfos esplêndidos, aberto à glorificação do Cristo, seja Ele a tua inspiração redentora, o teu apoio infalível, a trave-mestra de tua segurança; e, enaltecendo o messianismo do teu povo fraterno, em cujo seio generoso se extinguem todos os ódios de raça e se expungem todas as fronteiras do separatismo destruidor, que o Mestre encontre no âmago de teu coração o sagrado pouso das Boas-Novas de Salvação, descendo, enfim, da cruz de nossa impenitência multissecular para conviver com a Humanidade terrestre, para sempre.




Ruy Barbosa

domingo, 28 de agosto de 2016

É preciso saber dormir



É preciso saber dormir
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“– Não, o Espírito nunca fica inativo. Durante o sono, os laços que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo não precisa do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos.” (1)
Esta resposta, dada pelos Espíritos responsáveis pela implantação do Consolador Prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo (2) na Terra, merece reflexão aprofundada.
O corpo físico é instrumento do espírito para que este, através da vida de relação, possa cumprir com seu programa reencarnatorio, e tem, necessariamente, que se colocar em repouso para recuperar-se dos desgastes provocados pelo estado de vigília.
Dessa forma, ao dormir, o espírito não tem necessidade de permanecer junto ao corpo que descansa, embora essa seja uma ocorrência muito comum entre nós, por conta do condicionamento psicológico e da pouca consciência das possibilidades do espírito e da existência do mundo espiritual.
Vale também, para esse caso, o esclarecimento do Senhor Jesus:
“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” (3)
Como o céu não tem uma localização geográfica física, devemos entendê-lo como mundo espiritual, e portanto, segundo Jesus, os valores, viciações e paixões, físicas e morais que o espírito tem em si na vida corporal, também as terá no mundo espiritual quando desdobrado do corpo físico, seja enquanto o corpo dorme, ou quando em estado de desencarnado após o falecimento deste.
Os Espíritos Superiores nos dão vários esclarecimentos a respeito do estado de desprendimento do espírito quando do sono do corpo(4):
“Quando o corpo repousa, o Espírito tem mais condições de exercer seus dons, faculdades do que em vigília; tem a lembrança do passado e algumas vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com outros Espíritos, neste mundo ou em outro.”
“Durante o sono, reúnem-se à sociedade de outros seres superiores e com eles viajam, conversam e se instruem;trabalham até mesmo em obras que depois encontram prontas, quando, pelo desencarne, retornam ao mundo espiritual.”
“Isso deve vos ensinar uma vez mais a não temer a morte, uma vez que morreis todos os dias”
“…mas para o grande número de homens que, ao desencarnar, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os evocam, ou vão procurar prazeres talvez ainda mais baixos que os que têm aí; vão se envolver com doutrinas ainda mais desprezíveis, ordinárias e nocivas que as que professam em vosso meio.”
Há, na Doutrina Espírita, todos os esclarecimentos necessários à nossa conscientização a respeito da nossa natureza espiritual. Basta um pouco mais de boa vontade no sentido de nos instruirmos, para que consigamos tirar proveito maior não só do estado de vigília, mas também enquanto o corpo físico dorme.
Dessa forma, não só “é preciso saber viver”, como diz a letra de música muito conhecida, como também “é preciso saber dormir”.
Se quisermos boas companhias espirituais, e com eles visitar lugares e pessoas que nos são caros, estudar e trabalhar em benefício do nosso progresso espiritual, será preciso preparo constante através do bom comportamento moral e emocional durante o período de vigília, e principalmente o exercício da oração sincera antes de dormirmos, com a necessária solicitação ao Espírito Protetor para que ele nos conduza segundo nossos reais interesses na vida.
Por último, para os que carregamos muito de misticismo e imaginação em relação aos sonhos, convém prestarmos atenção a seguinte questão proposta por Allan Kardec aos Espíritos Superiores:
O que pensar da significação atribuída aos sonhos?
– Os sonhos não têm o significado que certos adivinhos lhes atribuem. É um absurdo acreditar que sonhar com isso significa aquilo…(5)
Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro
Sobre o autor:
Antônio Carlos Navarro  é membro da Rede Amigo Espírita, estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

JORGE - UM RELATO EMOCIONANTE












JORGE - UM RELATO EMOCIONANTE
A fantástica história de Jorge, o humilde cidadão que quando desencarnou foi recebido no plano espiritual por Jesus de Nazaré. 
(relato Adelino da Silveira- revelações Chico Xavier)

Ao longo dos anos em que ia a Uberaba, conheci muita gente. Gente boa, gente meio boa e gente menos boa. Algumas, o tempo vai apagando lentamente, mas jamais terá força suficiente para apagar de minhas lembranças a figura encantadora que vocês vão passar a conhecer.
Numa daquelas madrugadas, quando as reuniões do Grupo Espírita da Prece se estendiam até ao amanhecer, vi-o pela primeira vez. Naquela filas quase intermináveis que se formavam para a despedida ou para uma última palavrinha ainda que rápida com Chico, ele chamou-me a atenção pela alegria com que esperava a sua vez.
Vinha com passos cansados, o andar trôpego, a fisionomia abatida, mas seus olhos brilhavam à medida que se aproximava do médium. Não raro, seu contentamento se traduzia em lágrimas serenas mas copiosas.
Trajes pobres, descalço, pés rachados, indicando que raramente teriam conhecido um par de sapatos. Calça azul, camisa verde, com muitos remendos; um paletó de casimira apertava-lhe o corpo franzino.
Pele escura, cabelos enrolados nos lábios uma ferida. Chamava-se Jorge.
Creio que deve ter tomado poucos banhos durante toda a vida. Quando se aproximava, seu corpo magro, sofrido e mal alimentado exalava um odor desagradável.
Em sua boca, alguns raros tocos de dentes, totalmente apodrecidos. Quando falava, seu hálito era quase insuportável. Ainda que alguém não quisesse, tinha um movimento instintivo de recuo. Quando se aproximava, tínhamos pressa em dar-lhe algum trocado para que ele fosse comprar pipoca, doce ou um refrigerante, a fim de que saísse logo de perto da gente.
Jorge morava com o irmão e a cunhada num bairro muito pobre - uma favela, quase um cortiço.
Seu quarto era um pequeno cômodo anexado ao barraco do irmão. Algumas telhas, pedaços de tábuas, de plásticos, folhas de lata emolduravam o seu pequeno espaço.
O irmão e a cunhada eram bóias-frias. Jorge ficava com as crianças. Fazia-lhes mingau, trocava-lhes os panos, assistia-os. Alma assim caridosa, acredito que sofresse maus tratos. Muitas vezes o vi com marcas no rosto, e, ainda hoje, fico pensando se aquela ferida permanente em seu lábio inferior não seria resultante de constantes pancadas.
Pois o Chico conversava com ele, cinco,dez, vinte minutos. Nas primeiras vezes, pensava: "Meu Deus! como é que o Chico pode perder tanto tempo com ele, quando tantas pessoas viajaram milhares de quilômetros e mal pegaram sua mão?! Por que será que ele não diminui o tempo do Jorge, para dar mais atenção aos outros?"
Somente mais tarde fui entender que a única pessoa capaz de parar para ouvir o Jorge era ele.
Em casa, o infeliz não tinha com quem conversar; na rua, ninguém lhe dava atenção.
Quase todas as vezes em que lá estive, lá estava ele também.
Assim, por alguns anos, habituei-me a ver aquele estranho personagem que aos poucos me foi cativando.
Hoje , passados tantos anos, ao escrever estas linhas, ainda choro. "A gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar, não é mesmo?
Nunca ouvimos de sua boca qualquer palavra de queixa ou revolta.
Seu diálogo com o paciente médium era comovente e enternecedor.
- Jorge, como vai a vida?
- Ah, Tio Chico! Eu acho a vida uma beleza!
- E a viagem, foi boa?
- Muito boa, Tio Chico! Eu vim olhando as flores que Deus plantou no caminho para nos alegrar.
- Do que você mais gosta de olhar, Jorge?
- O azul do céu, Tio Chico. às vezes penso que o Sinhô Jesus tá me espiando por detrás de uma nuvem.
- Depois, o visitante falava da briga dos gatos, da goteira que molhou a cama, do passarinho que estava fazendo ninho no seu telhado.
Quando pensava que tudo havia terminado, o dono da casa ainda dizia:
- Agora, o nosso Jorge vai declamar alguns versos.
Eu chegava até me virar na cadeira, perguntando a mim mesmo: "Onde é que o Chico arruma tanta paciência?"
Jorge declamava um, dois , quatro versos.
- Bem Jorge, agora para a nossa despedida, declame o verso que mais gosto.
- Qual, tio Chico?
- Aquele da moça.
- Ah, Tio Chico! Já me lembrei. Já me lembrei.
Naquelas horas, o centro continuava lotado. As pessoas se acotovelavam, formando um grande círculo em torno da mesa.
Jorge colocava, então, o colarinho da camisa para fora, abotoava o único botão de seu surrado paletó, colocava as mãos para trás, à semelhança de uma criança quando vai declamar na escola ou perante uma autoridade, olhava para ver se o estavam observando e sapecava, inflado de orgulho:
"Menina, penteia o cabelo.
Joga as tranças para a cacunda.
Queira Deus que não te leve
de domingo pra segunda!"
Quando terminava, o riso era geral. Ele também sorria. Um sorriso solto e alegre, mas ainda assim doído, pois a parte inferior de seus grossos lábios se dilatava, fazendo sangrar a ferida.
Aí, ele se aproximava do médium, que lhe dava uma pequena ajuda em dinheiro. Em todos aqueles anos, nunca consegui ver quanto era. Depois, colocava o dinheiro dentro de uma capanga, onde já havia guardado as pipocas, os doces, dando um nó na alça do pano.
Para se despedir, ele não se abraçava ao Chico: ele se jogava, sim, todo por inteiro em cima do Chico! Falava quase dentro do nariz do Chico e eu nunca o vi ter aquele recuo instintivo como eu tivera tantas vezes.
Beijava-lhe a mão, o qual também beijava a mão e a face dele, ao que ele retribuía, beijando os dois lados da face do Chico, onde ficavam manchas de sangue deixadas pela ferida aberta em seus lábios. Nunca vi o Chico se limpar na presença dele nem depois que ele se tivesse ido. Eu, que muitas vezes, ao chegar à casa dele, molhava um pano e limpava o que passamos a chamar carinhosamente de "o beijo do Jorge..."
Não saberia dizer quantas vezes pensei em levar um presente àquele pobre irmão - uma camisa...um par de sapatos...uma blusa. Infelizmente, fui adiando e o tempo passando. Acabei por não lhe levar nada.
Lembro-me disto com tristeza e as palavras do Apóstolo Paulo se fazem mais fortes nos recessos de minha alma: "Façamos o bem, enquanto temos tempo."
Enquanto temos tempo. De repente, fica tarde demais. Jorge desencarnou. Desencarnou numa madrugada fria. Completamente só em seu quarto. Esquecido do mundo, esquecido de todos, mas não de Deus.
Contou-me o Chico que foi este nosso irmão de pele escura, cabelos enrolados, ferida nos lábios, pés rachados, mau cheiro e mau hálito que ao desencarnar, Jesus Cristo veio pessoalmente buscar. Entrou naquela quarto de terra batida, retirou Jorge do corpo magro e sofrido, envolto em trapos imundos, aconchegou-o de encontro ao peito e voou com ele para o espaço, como se carregasse o mais querido dos seus irmãos!
"Eis que estarei convosco até o fim dos séculos."
"Não vos deixarei órfãos."
Ele não faria uma promessa que não pudesse cumprir.
(Livro Kardec Prossegue- Adelino da Silveira)


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Constelação Familiar? O que será isso?





O QUE É


É uma nova abordagem terapêutica, um processo de cura experiencial que envolve a resolução de problemas que enfrentamos no nosso dia-a-dia. 
A Constelação Familiar é uma intervenção importante para quem deseja trabalhar suas relações amorosas, luto, história familiar de morte precoce, abortos, crimes, suicídio, adoção, comportamento destrutivo, doenças, destinos e acontecimentos pesados e dolorosos.

Constelar é trazer uma imagem que se forma através dos representantes e a partir dessa imagem poderemos identificar quais enredamentos ocorrem no sistema familiar da pessoa e verificar os passos necessários para o processo de reconciliação.

A Constelação Familiar é uma técnica de trabalho onde a pessoa a ser constelada coloca uma questão pessoal e os demais participantes atuam como representantes dos familiares ou demais pessoas presentes na constelação. A energia atua nestes representantes e com o auxílio do facilitador e através da energia do amor atinge um nível de harmonia caminhando para a solução do problema.


I - ORDENS DO AMOR

1ª Ordem - Os pais dão e os filhos tomam.

2ª Ordem - Aquele que recebe, honra a dádiva recebida e a pessoa de quem recebeu.

3ª Ordem - Hierarquia. Como o dar e tomar, ela se desenvolve de cima para baixo, de acordo com a ordem do tempo. Os pais têm precedência sobre os filhos e o primeiro filho sobre o segundo e etc.

"Os filhos não somente têm a seus pais, eles são os seus pais."

# Quando os filhos infringem as ordens acima, eles se punem com o fracasso, sem tomarem consciência da culpa e da conexão. #

# Há uma lei básica no grupo familiar que reconhece a todos o direito de pertencimento. Quando se exclui algum antepassado, alguém mais novo (descendente) no sentido da compensação, identifica-se com o mais velho, inconscientemente. #


# ORDENS DO AMOR: Este amor é sábio. Compensa de forma curativa e, através de boas ações, põe fim aos acontecimentos ruins. #

# Quando um membro do grupo familiar for excluído ou esquecido, a completude pode ser restabelecida na medida em que os excluídos são reconhecidos e respeitados. #


II - ORDENS DO AMOR (entre o homem e a mulher em relação à totalidade que nos sustenta)

1a. Ordem - Que o homem queira a mulher como mulher e a mulher queira o homem como homem.

2a. Ordem - Ambos estejam orientados em função de um terceiro, e que sua masculinidade e feminilidade só se completam num filho.


# DIFERENCIAÇÃO ENTRE AS CONSCIÊNCIAS #

1ª Consciência Pessoal:

a) Experienciamos como boa ou má. Quando pensamos, sentimos e fazemos algo que não está em sintonia com as expectativas e as exigências das pessoas e grupos aos quais queremos pertencer e frequentemente precisamos pertencer. A boa é o inverso.

b) Bom e mau. A diferenciação do bom e do mau serve, portanto, à sobrevivência dentro do próprio grupo.


2ª Consciência Coletiva:

Efeitos mais fortes que a Consciência Pessoal. É inconsciente para nós. É a família e o grupo. Está a serviço do grupo como um todo, mesmo que para alguns haja que sejam sacrificados.

a)Completude: 1a. Ordem - Todos têm o mesmo direito de pertencer. Se alguém foi excluído, não importam os motivos, um outro membro precisa representar a pessoa excluída.

b) O Instinto: É um instinto grupal que quer salvar e restabelecer a totalidade. Por isso é cega em seus meios.

c) O pertencimento para além da morte. Ninguém é separado de sua família através da morte. Esta consciência também traz de volta os membros mortos para a família, se foram excluídos. Vivos e mortos = família.

d) Quem pertence? Filhos, pais, tios, avós, tios avós, às vezes, bisavós. Também filhos ilegítimos, abortados, natimortos...

e) Só o amor libera: Esta consciência coletiva está a serviço do amor.

3a. Consciência Espiritual:

Os movimentos do espírito são iguais a todos da família. Esse amor não conhece fronteiras.
# LIVRO LANÇADO PELA TERAPEUTA ELOYANA SILVEIRA, EM 2005: " FAMÍLIA- O RESGATE DE SI MESMO". #

Este livro traz a mensagem de que é possível viver uma vida com maior alegria e paz. Enfoca também a riqueza do encontro consigo mesmo através do despertar do valor da família. Nele é focalizado como é possível alcançar a harmonia através das Constelações Familiares.


# A TEORIA DOS CAMPOS MÓRFICOS #

O Campo Mórfico é um padrão que se estende no espaço e no tempo, da mesma maneira que o campo gravitacional do sistema solar não fica somente dentro do sol e dos planetas, mas contém todos eles e coordena seus movimentos. Os Campos Mórficos dos grupos sociais colaboram para a coordenação dos movimentos e atividades dos seres humanos em multidões, times de futebol ou grupos familiares.Os campos sociais ligam entre si todos os membros do grupo e permitem que entre eles se estabeleçam formas de comunicação superiores às dos sentidos comuns.

EXEMPLOS DE CAMPOS MÓRFICOS

1 - Campos Mentais (ver coisas à distância e agir à distância): O Campo Mórfico é um novo tipo de campo que vem se somar aos campos gravitacional, elétrico, magnético e quântico já reconhecidos pela física.

2 - Campos Comportamentais: Organizam o comportamento dos animais, moldando as atividades das células nervosas dentro de seus cérebros.

3 - Campos Sociais: Interligam os membros dos grupos sociais e ajudam a coordenar as atividades deles de tal modo que a sociedade aja como um único organismo.

4 - Campos Morfogenéticos: Ligados ao desenvolvimento dos animais e plantas, que moldam as formas que estes seres vão assumindo enquanto crescem.

# Todos os Campos Mórficos têm certas propriedades em comum e todos contém uma memória intrínseca fornecida por um processo denominado ressonância mórfica. #


CONSTELAÇÕES FAMILIARES

As Constelações Familiares abarcam movimentos que tomam a direção fenomenológica, isto é, nós nos detemos, durante o nosso esforço em abarcar o desconhecido, e dirigimos o olhar, não mais para um determinado objeto palpável, mas sim para um todo. É quando nos deixamos levar diante de um problema, uma tarefa ou gravura, podemos notar como o nosso olhar fica, ao mesmo tempo, pleno e vazio. Em nosso movimento exploratório nós nos detemos e nos retraímos um pouco, até que atinjamos aquele vazio que pode resistir à plenitude e à diversidade. Esse movimento primeiramente se detém e depois se retrai. Ele nos oferece os conhecimentos diferentes daqueles obtidos pelo movimento do conhecimento exploratório. Contudo, ambos se completam.


A VISÃO SISTÊMICA


Os sistemas aos quais pertecemos são movidos tanto por fatores explícitos como por relações inconscientes. Com uma visão sistêmica, o facilitador ou terapeuta de Constelações Familiares, trabalha uma imagem interna, que é espelhada em cenas, com a ajuda de representantes. Este processo amplia visões surpreendentes e orienta novas soluções, ancoradas na aceitação da realidade e no respeito mútuo. Baseado no pensamento sistêmico este método fenomenológico foi criado por Bert Hellinger e recebeu contribuições importantes de Gunthard Weber, Mathias Varga Kibeb, Insa Sparrer e diversos outros estudiosos. Onde as Ordens do Amor são aplicadas, cessa a responsabilidade por injustiças cometidas no grupo familiar. O sucesso acontece quando os mais novos aceitam o que receberam dos mais velhos, apesar de seu preço e os honram (2a. Lei do Amor), independentemente do que fizeram, e quando o passado, bom ou mau, já é passado. Então os excluídos recuperam seus lugares e em vez de nos atemorizarem, abençoam-nos. Quando damos o lugar que merecem em nossa alma, ficamos em paz com eles. E de posse de todos os que nos pertencem, sentimo-nos inteiros e plenos.

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domingo, 29 de dezembro de 2013

E fez-se a luz...



E fez-se a luz...

Desde então, 
o Supremo Arquiteto do Universo, Maestro das Supremas Harmonias, detém-se na composição esplêndida da obra do amor infinito,
Entre as claves, de sol e de fá, emolduram-se, incessantemente, notas, andamentos, ritmos e sons, colcheias e semicolcheias, fusas e semifusas, tons maiores e puros; tons menores e dissonâncias compassos e candências num trabalho magistral ...
Dentre a poesia dos sons e o bailado das notas, cresce a partitura da criação nascendo: A Obra da Vida.
Em certo instante, porém, em sua Suprema Bondade, o Criador num assomo, escreve na partitura uma seqüência adorável!
Desta tal como das outras, emana luz e calor, alegria e força! Assim agiu e ainda age, compondo a cada instante outras páginas de vida. Aquela anteriormente composta em uma escala melódica ímpar, reflete uma seqüência harmônica inimitável, chamando-se: A Página da Tua Vida!
Põe-te, então, instrumento de Deus, ao trabalho de emitir a todo instante, ao mundo, os acordes amorosos compostos pelo Criador. 
Contudo, instrumento, lembra-te de que não estás a tocar solitário, fazes parte de um todo, de uma orquestra divina, e a cada naipe de instrumentos compete trabalho igual e importância definida, 
Que tu estejas afinado, e entre os teus companheiros de orquestra emitindo tuas notas, seguindo a partitura escrita na página da tua vida, pois todas as partituras, todos os instrumentos, fazem parte da mesma orquestra que há de soar harmoniosa Não te creias, instrumento, mais importante do que os outros, pois cada um, em seu naipe, faz trabalho importante e todos hão de soar afinados na Orquestra do Senhor!

Moura Rêgo
Rio, 24 de setembro de 2002.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Jose da Galileia, pai de Jesus"





"Jose da Galileia, pai de Jesus" / Texto:Revista Seareiro. [http://www.espiritismoeluz.org.br/]



A vida dos homens que participaram da história do Cristianismo é rica em detalhes e acontecimentos.

Desde o Velho Testamento, até nos dias atu...
ais, passando pelo Novo Testamento, vários homens deram a sua colaboração para que o Evangelho de Jesus fosse vivido.
...

Houve porém um homem que pouco comentamos ou citamos quando falamos do Evangelho:

José da Galiléia, pai de Jesus.

São raras as passagens em que ele é mencionado no Evangelho, mas, nas poucas vezes, dá para analisar o tamanho da sua fé e confiança nos desígnios de Deus.

Sempre que os Espíritos Superiores (anjos, na letra da Bíblia) o chamavam em sonho para tomar alguma atitude, ele não titubeava e sim cumpria as ordens, porque reconhecia o seu papel.

Levou Maria e Jesus para o Egito por ordem dos Espíritos Superiores e aguardou, como foi ordenado; e, quando novamente, foi-lhe pedido para que voltasse para Israel, assim o fez.

Quanta confiança nas determinações do Altíssimo! Isto se chama fé!

Não nos esqueçamos que durante todo o tempo em que Maria e Jesus iam daqui para lá, fugindo das perseguições, José tinha a função de protegê-los.

Verificamos também na figura de José a prática da humildade, pois, mesmo sendo honrado com as orientações de anjos, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.

Apenas cumpria as determinações.

Sabendo da missão de Jesus, não se envaideceu, apenas conduziu a sua família como um pai deve fazer.

Cumpriu os seus deveres para com as autoridades da Terra quando foi chamado com a sua família para o censo que se realizava em Jerusalém, dando a lição que podemos atender às leis da Terra e ao mesmo tempo cumprir as de Deus.

Visualizemos a figura do pai que deve encaminhar o seu filho, dando-lhe educação, ensinando-lhe o respeito às leis de Deus, suprindo o lar do pão material e cumprindo o seu papel de protetor da família.

Nesta figura temos o exemplo de José.

Jesus, dando-nos o exemplo de como devemos nos comportar perante a autoridade paterna, cumpriu com a o bediência que devia a seu pai, inclusive aprendendo e ajudando-o na carpintaria.

Nos dias atuais devemos analisar bem este personagem valoroso que foi José e tentarmos seguir-lhe o exemplo, conduzindo nossos filhos com respeito, religião, disciplina e amor. E aos filhos, cabe o exemplo de obediência e carinho que Jesus deixou.

O Cristianismo deve muito a José da Galiléia e, nas palavras de Emmanuel:

"A ele deve o Cristianismo a porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus."

Que Deus abençoe a todos os pais, para que possam abraçar as suas tarefas de condução das suas famílias para Deus.
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Wilson.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Interessantes Reflexões Sobre Tatuagens



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As incisões no corpo, quaisquer que sejam, são proibidas por Deus nas Escrituras:
“Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor”.(Lv 19,28).
Mas que significa uma tatuagem?
Quando alguém veste a camisa de um time de futebol, que significa?
Significa que ele é torcedor daquele time, que ele faz parte daquela agremiação ou comunga com seus princípios.
Mas quando alguém não apenas veste uma camisa, mas marca na própria pele, significa algo muito mais profundo… significa uma adesão irrevogável, uma consagração.

Do mesmo modo que um boi é assinalado com ferro quente com a marca de seu dono, assim a pessoa que marca um símbolo na sua pele faz uma consagração àquela marca….
A marca do demônio
Geralmente as pessoas que fazem tatuagem, logo escolhem ou sugerem os símbolos: serpente, escorpião, dragão…

Leia + e tire suas conclusões!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Caminhos do Amor e Liberdade




Pergunta: Qual das duas, a poligamia ou a monogamia é mais conforme à lei da Natureza?

 

Resposta: A poligamia é lei humana cuja abolição marca Progresso social.

 

O casamento segundo as vistas de Deus tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade. Item n° 701, de “O livro dos Espíritos”.

 

Comenta-se a possibilidade de legalização das relações sexuais livres, como se fora justo escolher companhias para a satisfação do impulso genésico, qual se apontam iguarias ou vitaminas mais desejáveis numa hospedaria. Relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade.

 

Homem ou mulher, adquirindo parceira ou parceiro para a conjunção afetiva, não conseguirá, sem dano a si mesmo, tão-somente pensar em si.

 

Referentemente ao assunto, não se trata exclusivamente da ligação em base do matrimônio legalmente constituído. Se os parceiros da união sexual possuem deveres a observar entre si, à face de preceitos humanos, voluntariamente aceitos, no plano das chamadas ligações extralegais acham-se igualmente submetidos aos princípios das Leis Divinas que regem a Natureza. Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o “lugar sagrado” de outro Espírito, sem lesar a si mesmo.

 

Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar “consciências” qual se fossem “coisas”, e se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um?

 

É óbvio que ninguém se lembrará, em são juízo, de recomendar escravidão às criaturas claramente abandonadas ou espezinhadas pelos próprios companheiros ou companheiras a que se entregaram, confiantes; isso, no entanto, não autoriza ninguém a estabelecer liberdade indiscriminada para as relações sexuais que resultariam unicamente em licença ou devassidão.

 

Instituído o ajuste afetivo entre duas pessoas, levanta-se, concomitantemente, entre elas, o impositivo do respeito à fidelidade natural, ante os compromissos abraçados, seja para a formação do lar e da família ou seja para a constituição de obras ou valores do espírito.

 

Desfeitos os votos articulados em dupla, claro que a ruptura corre à conta daquele ou daquela que a empreendeu, com o aceite compulsório das conseqüências que advenham de semelhante resolução.

 

Toda sementeira se acompanha de colheita, conforme a espécie. É razoável nos lembremos disso, porquanto o autor ou autora da defecção havida, ante os princípios de causa e efeito, é considerado violador de almas, assumindo com as vítimas a obrigação de restaurá-las, até o ponto em que as injuriou ou prejudicou, ainda mesmo quando na conceituação incompleta do mundo essas criaturas tenham sido encontradas supostamente já prejudicadas ou  injuriadas por alguém.

 

O diamante no lodo não deixa de ser diamante, sem perder o valor que lhe é próprio, diante da vida.

 

A criatura em sofrimento não deixa de ser criação de Deus, sem perder a imortalidade que lhe é própria, à frente do Universo. Que a tentação de retorno dos sistemas poligâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra, é mais que natural – é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências. Entretanto, os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de  quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis no coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida.

 

Observem-se, nos capítulos do sexo, os desígnios superiores da Infinita Sabedoria que nos orienta os destinos e, nesse sentido, urge considerar que a Vontade de Deus, na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado “hoje”. E se o “hoje” jaz viçado de complicações e problemas, a repontarem do “ontem”, depende de nós a harmonia ou o desequilíbrio do “amanhã”.






quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um Conto de Natal de Tolstoi


Um Conto de Natal de Tolstoi

Um aldeão russo, muito devoto, constantemente pedia em suas orações que Jesus viesse visitá-lo em sua humilde choupana.

Na véspera do Natal sonhou que o Senhor iria aparecer-lhe.
Teve tanta certeza da visita que, mal acordou, levantou-se imediatamente e começou a pôr a casa em ordem para receber o hóspede tão esperado.

Uma violenta tempestade de granizo e neve acontecia lá fora.
E o aldeão continuava com os afazeres domésticos, cuidando também da sopa de repolho, que era o seu prato predileto.

De vez em quando ele observava a estrada, sempre à espera...

Decorrido algum tempo, o aldeão viu que alguém se aproximava caminhando com dificuldade em meio a borrasca de neve.

Era um pobre vendedor ambulante, que conduzia às costas um fardo bastante pesado.

Compadecido, saiu de casa e foi ao encontro do vendedor.
Levou-o para a choupana, pôs sua roupa a secar ao calor da lareira e repartiu com ele a sopa de repolho.

Só o deixou ir embora depois de ver que ele já tinha forças para continuar a jornada.

Olhando de novo através da vidraça, avistou uma mulher na estrada coberta de neve.
Foi buscá-la, e abrigou-a na choupana.
Fez com que sentasse próximo à lareira, deu-lhe de comer, embrulhou-a em sua própria capa...

A noite começava a cair...
Não a deixou partir enquanto não readquiriu forças suficientes para a caminhada.
E nada de Jesus!

Já quase sem esperanças, o aldeão novamente foi até a janela e examinou a estrada coberta de neve.

Distinguiu uma criança e percebeu que ela se encontrava perdida e quase congelada pelo frio...

Saiu mais uma vez, pegou a criança e levou-a para a cabana.
Deu-lhe de comer, e não demorou muito para que a visse adormecida ao calor da lareira.

Cansado e desolado, o aldeão sentou-se e acabou por adormecer junto ao fogo.
Mas, de repente, uma luz radiosa, que não provinha da lareira, iluminou tudo!

Diante do pobre aldeão, surgiu risonho o Senhor, envolto em uma túnica branca!
- Ah! Senhor! Esperei-O o dia todo e não aparecestes, lamentou-se o aldeão...

E Jesus lhe respondeu:
"Já por três vezes, hoje, visitei tua choupana:
O vendedor ambulante que socorrestes, aquecestes e deste de comer...
era Eu!
A pobre mulher, a quem deste a capa...
era Eu!
E essa criança que salvaste da tempestade, também era Eu..."
"O Bem que a cada um deles fizeste,
a mim mesmo o fizeste!"

*Jesus está presente em cada criatura que a vida nos apresenta, pois a Sua Maior mensagem é com certeza a Do Amor Fraterno!