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quarta-feira, 27 de março de 2013

Haicai da língua portuguesa - Cornélio Pires






 
DELITO  E  REENCARNAÇÃO
                                               
Cornélio Pires

Por ódio trocado,
Antônia Matou Lina do Lagarto
Hoje, elas são mãe e filha
Doentes no mesmo quarto.

Joaquim arrasou Simão
Para tomar-lhe Ana Vera,
Mas Simão tornou a ele,
É o filho que o não tolera.

Por Téo, Nana largou Juca
Que se matou pela ingrata,
E Juca voltou a ela,
É o filho que a desacata.

Manoel seduziu Percília,
Deixando-a em tombos loucos.
Ela morreu e voltou:
É a filha que o mata aos poucos

Por Zina, matou-se João.
Um carro fê-lo aos pedaços.
Hoje ele é o filho doente
Que Zina beija nos braços.

Tesouro maior da vida
É a mente tranqüila e sã.
Erro que a gente faz hoje
A vida acerta amanhã.




Irmão Saulo.

Cornélio Pires foi o poeta caipira que marcou uma época da vida paulista, assinalou a fase de transição da cultura caipira para a cultura cosmopolita que surgiria com a transformação da cidade provinciana em metrópole moderna. 
Deixou vasta e curiosa obra de inegável interesse folclórico e literário. 
Todos os anos a cidade de Tietê, sua terra, promove oficialmente a Semana Cornélio Pires. 
Na praça central da cidade há um busto do poeta e Tietê mantém carinhosamente o Museu Cornélio Pires.
Tendo falecido em São Paulo a 17 de janeiro de 1958, Cornélio teve o seu corpo transportado para Tietê, onde se deu o enterro. Pouco tempo depois passou a transmitir sonetos e trovas através de Chico Xavier. 
A Federação Espírita Brasileira lançou o livro “O Espírito de Cornélio Pires”, reunindo essa produção inicial. 
Mas o poeta continua a transmitir os seus versos pelo telégrafo mediúnico, na mesma linha espírita que já havia adotado nos seus últimos anos de vida terrena, quando publicou “Coisas do Outro Mundo” e “Onde está, ó Morte, a tua vitória?”.
A trova é o haicai da língua portuguesa, uma forma de síntese poética de que Cornélio sempre se serviu com habilidade. Mas, nas trovas deste capítulo, o tema é a reencarnação. Note-se que o poeta não joga com argumentos, mas com fatos. 
Expõe a tese focalizando pequenos episódios da vida diária, no permanente intercâmbio da morte com a vida. 
Uma forma didática de mostrar as conseqüências de nossos atos e de nosso comportamento, não no após morte, mas na volta à vida.
Quem conheceu Cornélio Pires e conhece sua obra não tem a menor dificuldade em identificá-lo nesses versos. 
O poeta caipira, simples, objetivo, direto, reflete-se nessas quadras psicografas como se elas viessem das suas próprias mãos.
 Atente-se para a maleabilidade extrema do médium, que com a mesma presteza recebe um alexandrino grandiloqüente de Cyro Costa, como se viu no “Pinga Fogo” do Canal 4; um poema erudito de Augusto dos Anjos ou uma quadra caipira de Cornélio Pires. 
Chico Xavier, segundo sua resposta a Scatimburgo na televisão, não escreve “à maneira de”, mas deixa que os espíritos escrevam por suas mãos “à maneira deles”.

Livro “Chico Xavier pede licença” Psicografia Francisco C. Xavier Autores diversos


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Visão Retrospectiva, no momento da Morte


.Visão Retrospectiva , no momento da Morte..







Este é um dos fenômenos mais singulares que ocorrem em todos os casos de morte natural e, até mesmo, em algumas mortes subitâneas, por acidentes diversos.

A pessoa, nos instantes finais de sua existência, vê passar diante de si, como numa tela de cinema ou num monitor de vídeo, toda a Vida que está prestes a deixar. Os primeiros meses do renascimento, a pré-infância, a infância, a puberdade, a adolescência, a juventude e a fase adulta, tudo, tudo que foi experimentado em cada um desses estágios do desenvolvimento bio-psicológico do ser humano, vem à tona com uma riqueza de pormenores, absolutamente, incomum.

Deve-se este fenômeno ao registro minucioso feito pelo corpo perispiritual de todos os acontecimentos vividos pelo ser humano em cada uma de suas existências. Nada deixa de ser fixado pelo envoltório sutil da alma, e é, graças a essa transcrição minuciosa, que podemos, aqui mesmo, em nosso mundo e, mais tarde, na Vida Espiritual, lembrar-nos de todas as nossas existências pregressas.

Essa visão retrospectiva possibilita ao ser uma contemplação crítica e analítica de todas as ações por ele praticadas, durante a última existência, num prévio julgamento consciencial, com vistas à situação que ele merece na Pátria Espiritual.

Através desse retrospecto, pode o espírito avaliar a imensa distância que ainda o separa de um viver, realmente, pautado dentro da legislação divina. Por outro lado, verifica-se, também, que até o centavo que um dia doamos, como esmola, ao mais humilde dos pedintes, ali está registrado.

0 fenômeno é instantâneo. Acontece num átimo. 0 que mais importa, entretanto, não é a sua duração, mas a sua qualidade. Mesmo os segredos mais íntimos que, por vezes, o ser humano reprime para o seu inconsciente, vêm à tona com absoluta fidelidade, numa demonstração de que nada permanecerá enterrado, para sempre, nos porões da mente.

E isto apenas confirma as palavras de Jesus, quando disse:

Nada há oculto que não venha, um dia, a ser conhecido.

Nessa retrospectiva, os fatos negativos servem de advertência, e possibilitam ao espírito entrever as conseqüências cármicas que, no futuro, eles desencadearão. Isto nas almas -mais esclarecidas, com senso de responsabilidade e noções precisas de Vida Eterna e reencarnação. Já os fatos positivos, também recordados, servem como estímulo a um maior crescimento moral e espiritual nas novas dimensões da Vida em que a alma está penetrando.

0 grande vate português Luiz de Camões, em soneto célebre, afirma: - Numa hora, encontro mil anos e é de jeito que em mil anos não encontro uma hora... De fato, o tempo psicológico do espírito e suas vivências espirituais não são medidos exteriormente com os parâmetros habituais dos ponteiros dos relógios. Esse tempo não cronológico, representado pelo acúmulo de experiências vividas, só pode ser avaliado, interiormente, em visões retrospectivas, no instante da morte, ou nos estados de emancipação da alma. No sonho, no sono hipnótico ou sonambúlico, é perfeitamente possível ao espírito reviver, em segundos, fatos que ocuparam, por vezes, metade de uma existência.

Ao despertar no Além e na posse integral dessa visão panorâmica de sua última existência, o espírito transformar-se-á no grande juiz de si mesmo, no tribunal silencioso de sua consciência
Cap. 25 do livro Morrer e Depois Editora: A União
Site:  Panorama Espírita
Publicado por Marcio-geec em 05/9/2006
Autor:  Waldo Lima do Valle
 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reencarnação e laços de família.


Reencarnação e laços de familia




Amigos, para poder entrar no assunto proposto que é reencarnação e laços de família, é importante primeiro abordar o estudo do perispírito,

Somos compostos de corpo físico, espírito e perispírito.
O perispirito é o molde do corpo físico, que preexiste a este, isto é, existimos no plano espiritual que é nosso verdadeiro lar, até que seja necessária uma nova encarnação, cujas programações são feitas minuciosamente com nossos mentores no astral.
Existem relatos na literatura espirita de pais que durante o sono do corpo fisico, são levados ao plano espiritual ( em desdobramento, isto é, o espirito juntamente com o perispirito, afasta-se do corpo que permanece dormindo, ligado por um cordão fluidico), onde conversam e combinam o nascimento do espirito que receberão como filho...

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Reencarnação e laços de família
JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
de Ribeirão Preto, SP

"Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo" Jesus (João, 3:7)

No Livro da Esperança, lição n.° 8, Emmanuel nos lembra que, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos senhoreiam o coração. Sentimentos contraditórios afloram à consciência, destacando erros e acertos da jornada terrena. Mágoas e júbilos, poemas de ventura e gritos de aflição. Por um lado a alegria por tarefas realizadas, aquisições obtidas, vitórias alcançadas. Por outro lado, sentimos as falhas cometidas, oportunidades perdidas, lesões causadas ao próximo por motivos irrelevantes. Um companheiro espírita, após a desencarnação, afirmou, através de médium confiável, que, ao passarmos para a vida espiritual analisamos os acontecimentos de modo bem diferente de quando estamos no plano físico. Coisas que nos pareciam importantes, após a morte do corpo, são como bolhas de água e sabão. E fatos a que não dávamos valor enquanto na matéria, após o desencarne, percebemos serem realmente relevantes.

Emmanuel, no texto citado, considera que ainda estamos longe das esferas superiores, onde os seres, já despertos, desfrutam de paz e bem estar; mas já distanciamos das regiões inferiores, possuímos algum desenvolvimento, e para continuarmos a jornada evolutiva concede-nos a Providência Divina o refúgio do lar, na Terra, para mais uma etapa de realizações e aprendizado. Novamente no corpo físico, reencontramos na forma de parentes e companheiros os irmãos a quem ferimos, ou maltratamos no passado. É no lar que temos a oportunidade de nos exercitarmos na vivência dos ensinos de Jesus. Compreensão, tolerância, renúncia, perdão são qualidades que quando vivenciadas no lar, mais fácil se torna o relacionamento social, junto dos demais.

Fala-se muito em crise. A crise principal, que dá origem a todas as outras, é a crise moral. E esta decorre, em grande parte, no desmantelamento dos laços de família, como vem ocorrendo. "... Nas últimas décadas, o número de homicídios entre adolescentes quadruplicou, o número de suicídios triplicou, e de estupros dobrou. Com mais da metade dos casamentos atualmente terminando em divórcio, milhões de crianças estão sujeitas a problemas que muitos cientistas sociais associam à dissolução da família" (1)

Em 1994 a ONU dedicou aquele ano como "O Ano Internacional da Família", e o movimento espírita lançou campanha visando sensibilizar o público para a importância do viver bem, em família. Sabemos que os ensinos da Doutrina só tem valor quando aplicados, vivenciados. Só aprendemos a fazer, fazendo.

Somos Espíritos criados por Deus, portanto, irmãos, formando uma só família. "Os Espíritos formam, no espaço, grupos ou famílias, unidos pela afeição, pela simpatia e a semelhança de inclinações. Esses Espíritos, felizes de estarem juntos, procuram-se. A encarnação só os separa momentaneamente, pois que, uma vez retornando ao plano espiritual, eles se reencontram, como amigos, na volta de uma viagem". (2) Mas nem sempre a família consangüínea é constituída só pelos Espíritos afins. Pode ser constituída também por pessoas bem diferentes entre si, para testar virtudes, ou ensinar/aprender aspectos diferentes da vida. O motivo da aproximação, nesse caso, seria de provas e aprendizado. Podem, ainda, os membros de uma família estarem ligados por vínculos criados anteriormente, uns sendo devedores dos outros, e o motivo da ligação é o reajuste, a reconciliação. Daí, a necessidade de acertarmos nossas contas com os nossos irmãos, enquanto estamos a caminho com eles, conforme ensinou Jesus. Não fazemos parte de uma família por acaso. Estamos nesse grupo, por razão séria: ou para ajudar alguém, ou para reconciliarmos com determinados irmãos, ou, ainda, para aprendermos uns com os outros. O sábio Emmanuel nos convida a aplicar o exemplo do samaritano generoso em nossa própria família, que constitui o nosso próximo mais próximo. E é ainda o mesmo instrutor espiritual, no livro Pensamento e Vida, que nos adverte que a família constitui o centro de nossos reflexos, agradáveis ou desagradáveis. Cada criatura está ajustada ao raio de ação que é capaz de desenvolver. Cada um apenas pouco a pouco ultrapassará o horizonte a que estenda os seus reflexos.

O homem primitivo não se afasta da própria taba, aí reencarnando muitas vezes até ampliar o seu horizonte de entendimento; e o homem relativamente civilizado demora-se longo tempo no plano racial em que assimila as experiências de que carece. Na esfera do grupo consangüíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu para si próprio. Não incluídos aí Espíritos pioneiros da evolução que criam clima mental que lhes é peculiar: um grande artista ou herói preeminente pode nascer em esfera estranha aos sentimentos nos quais se avultam.

O templo doméstico reúne aqueles que se retratam uns nos outros. Família de músicos terá mais facilidade para recolher companheiros da arte divina. Escultores e poetas, políticos e médicos, comerciantes e agricultores quase sempre se dão as mãos, preservando para si mesmos as conquistas realizadas, mediante o trabalho em comum e segundo a lei do renascimento. E conclui o citado autor: "Somos impelidos a padecer o retorno dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela. Temos as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino."

(1) - Inteligência Emocional - John Gottman
(2) - Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 4, item 18 - Allan Kardec