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domingo, 13 de novembro de 2011

A Paz de Jesus, a Nossa Paz!


A paz vos deixo, a minha paz vos dou


"A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá." -Jesus. (JOÃO, 14:27.)

É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo.

A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento.

A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal.

O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira.

Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio; a dos ociosos sistemáticos, é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários, é a satisfação dos próprios caprichos; a dos vaidosos, é o aplauso da ignorância; a dos vingativos, é a destruição dos adversários; a dos maus, é a vitória da crueldade; a dos negociantes sagazes, é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor, é a viciação dos sentidos; a dos comilões, é o repasto opulento do estômago, embora haja fome espiritual no coração.

Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância endinheirada, a vaidade bem vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem muito bem.

Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser, muitas vezes, o sono enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o entendimento, por nascida e cultivada, portas a dentro do espírito, no campo da consciência e no santuário do coração.



André Luiz
Waldo Vieira


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os Velhinhos Inteligentes




Os Velhinhos Inteligentes

Nilza Tereza Rotter Pelá



Nilza Tereza Rotter Pelá
de Ribeirão Preto, SP
A notícia, transmitida em rede nacional de televisão, relatou estudo científico realizado no Reino Unido. Há sessenta (60) anos, nesta pesquisa, foi medido o coeficiente de inteligência de uma amostra de crianças que freqüentavam o ensino fundamental; localizadas depois deste período constatou-se que dentre aquelas com maiores coeficientes, a taxa de sobrevida era maior, bem como, o estado de saúde das mesmas, também era melhor.

Inadvertidamente o repórter concluiu que a inteligência havia causado melhor qualidade de saúde, felizmente após isto apareceu a entrevista de um senhor que havia participado da amostra de crianças estudadas que declara que a inteligência lhes proporcionou condições de fazer escolhas mais acertadas do tipo não fumar, alimentar-se de maneira mais saudável, ter atividade física adequada, lazer ao longo de suas vidas.
Basicamente o que este senhor reforça é um pressuposto da Doutrina Espírita, muitas vezes enfatizado por Kardec: em tudo e por tudo é necessário aprendermos a deduzir as conseqüências de nossos atos. A inteligência neste caso funcionou como catalizador do processo.





Em "O Livro dos Espíritos" encontramos no capítulo Lei do Progresso (questões 780 e 780a) que o progresso intelectual ocorre antes do progresso moral pois é aquele que dará condições de se compreender o bem e o mal e a partir desta compreensão o ser humano poderá fazer escolhas. "O desenvolvimento do livre arbítrio, segue-se ao desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade do homem pelos seus atos".

Sabemos pela doutrina que estamos aqui reencarnados para desenvolvimento de novas capacidades, tanto morais como intelectuais, tanto que em "A Gênese" Kardec coloca que Terra é uma escola de aplicação. As aquisições anteriores sem dúvida em muito nos ajudam, entretanto é preciso lembrar que o fato de não as possuirmos não quer dizer que necessariamente deveremos sempre estar em condição de inferioridade em relação aos outros; precisamos sim estar conscientes que nosso trabalho será maior, mas as nossas chances sempre existem.
As potencialidades estão em cada um de nós a fim de que pelo nosso esforço pessoal nos dediquemos a desenvolvê-las, entretanto, podemos dizer que no nosso planeta ainda existem espíritos que não descobriram o prazer de novos aprendizados.
Aqueles que se dedicam ao labor de ensinar em escolas públicas ou privadas sabem que basicamente há três modalidades de aprendizes: os que têm enorme prazer de aprender e muito se esforçam para adquirir novos conhecimentos; os que se contentam em aprender para ir para a série seguinte; os que se irritam com os professores porque exigem esforço de aprendizado.
Temos também que nos lembrar que uma vez o aprendizado tendo ocorrido ainda há grande tarefa do indivíduo processar sua canalização, ou seja, para que será utilizada a nova aquisição? Ë aqui que entra o desenvolvimento moral.
Voltando à notícia do início desta matéria recordemos que o senhor entrevistado enfatiza que ser mais inteligente lhe proporcionou condições de melhor escolha, entretanto, a melhor escolha é fruto dos nossos valores e crenças, ou seja, está ligado à nossa ética pessoal.
É necessário também lembrar que não se trata apenas de escolher o melhor para nós ignorando a dimensão do outro, pois neste caso a nossa inteligência está sendo utilizada de maneira egoísta, denotando o nosso infantilismo moral. Aqui se coloca as palavras de Emmanuel em Pensamento e Vida: "Inteligência que não ama, pode ser comparada a valioso poste de aviso, que traça ao peregrino informes de rumo certo, deixando-o sucumbir ao tormento da sede."
(Jornal Verdade e Luz Nº 185 de Junho de 2001)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O balde no pescoço



O balde no pescoço




Nilza Teresa Rotter Pelá

de Ribeirão Preto, SP

Há muitos anos moramos em um mesmo bairro, para lá mudamos com uma filha pequena e alguns anos depois nasceu o segundo filho. Como nossa família muitas outras foram chegando ao bairro e as famílias foram crescendo e as crianças também. Formaram um grupo que passamos a chamar "os meninos da rua" (da rua e não de rua). A esse ativo grupo de crianças, aos poucos, foi juntando novos elementos: os cachorros das famílias. Pequenos no começo foram se diferenciando, assim como seus donos. Os meninos tornaram-se adultos jovens com opções diversificadas, uns foram para a faculdade, outros buscaram empregos ao término do colegial e alguns poucos enveredaram por caminhos inadequados. Os cachorros tornaram-se velhos e muitos foram acometidos por doenças e tiveram que serem operados.
Hoje é difícil ver os "meninos" andando pelo bairro, entretanto é freqüente ver os cachorros caminhando com um balde, com o fundo cortado, preso ao pescoço.
Na primeira vez que vimos esta imagem surrealista ficamos surpreendidos, depois viemos saber que isto era um mecanismo de proteção para o animal, pois operado ficava a lamber a ferida cirúrgica e isto podia ser prejudicial à cicatrização. 



Com a aproximação do "ano novo", quando nos propomos a reflexões mais profundas, a imagem do cão com o balde no pescoço tem estado muito presente sobretudo porque temos analisado que em algumas circunstâncias nós os humanos necessitamos de "baldes" que nos ajudem a evitar males maiores. Quando não conseguimos modificar hábitos nocivos, por livre e espontânea vontade vem o médico e precisa colocar o balde simbólico em nosso pescoço, proibindo isso ou aquilo. Como nem sempre é suficiente começamos a sentir a conseqüência e então por medo começamos a mudar.
Muda-se não porque está convencido que isto é o melhor, mas pelo medo da conseqüência. Neste estado de coisas é o balde simbólico que nos contêm e não nossa modificação de atitude. É o glutão que faz o regime esperando o dia da alta para comer tudo que lhe foi proibido, o fumante que fuma escondido como se assim enganasse o médico e familiares quando na verdade está a enganar a si mesmo.
Muitas vezes há necessidade de nascer para nova experiência terrena com o balde amarrado ao pescoço para que mal maior não sobrevenha.
Na questão 852 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: "Há pessoas que parecem perseguidas por uma fatalidade, independente da maneira que procedem. Não lhes estará no destino o infortúnio?" R: "São, talvez, provas que lhes caiba sofrer e que elas escolheram. Porém, ainda aqui lançais à conta do destino o que mais das vezes é apenas conseqüência da vossas faltas. Trata de ter pura a consciência em meio dos males que te afligem e já bastante consolado te sentirás."
As limitações educativas, ainda necessárias em nosso atual estágio evolutivo funcionam com baldes a evitar males maiores. Rebelar-se com estas situações limitantes que visam conter nossos impulsos inferiores podem nos ferir inutilmente nada acrescentando ao nosso patrimônio espiritual.
O balde simbólico, leia-se as limitações, tem como objetivo uma reformulação de nossos valores de vida acelerando nossa romagem evolutiva.
Um rei da Inglaterra, a cada noite pedia à Deus "ensina-me a não chorar pela luta, nem pelo leite derramado" e os alcoólicos anônimos oram pedindo forças para mudar o que pode ser mudado e para aceitar o que não pode.
Quando o "balde" aparecer, antes de lutar com ele valeria a pena perguntar-se qual o ensinamento que nos trás.
(Jornal Verdade e Luz Nº 179 de Dezembro de 2000)
Origem destes artigos Aqui:


sábado, 22 de outubro de 2011

Uma página, duas notícias


Uma página, duas notícias



Nilza Teresa Rotter Pelá

de Ribeirão Preto, SP

A página é a A10 do jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO”, de 7 de janeiro de 2000, as notícias são: 1) “Escolas da França recebem pílulas do dia seguinte” (Produto contraceptivo será distribuído às alunas sem autorização prévia dos pais); 2) “Escolas aprovam lei que impede e pune trote violento” (Legislação obriga faculdades a adotar medidas para evitar ação de estudantes).

A primeira vista parece uma má e outra boa notícia, entretanto esta classificação vai depender da ótica de análise, pois ambas têm na sua essência uma ação de fora para dentro, o que de modo algum se caracteriza como processo educativo.

A lei que reprime o trote é sem dúvida necessária no momento, visto os acontecimentos que temos presenciado nestes últimos anos, entretanto aponta para a falha da formação moral dos estudantes que já cursaram a universidade, por pelo menos um ano.

A formação moral do indivíduo, sem dúvida, já inicia antes de seu nascimento quando recolhe as impressões da vida familiar e se prolonga por toda a infância e puberdade agora com influência de outros grupos sociais como escola, grupo religioso, grêmios desportivos. Ao chegar à faculdade traz esta bagagem, algumas vezes positiva, outras vezes nem tanto, acrescida do fato, de como aponta “O Livro dos Espíritos” na questão 385 , por volta dos 15, 20 anos o “caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanecem boas, se eram fundamentalmente boas, mas irizam sempre de matizes que estavam ocultos na primeira infância”.

A pró-reitora de graduação da Universidade Federal de São Paulo muito bem analisa a questão na ótica de processo educativo, “para ela, a simples edição da lei contra trotes não é suficiente. É preciso mudar a mentalidade dos alunos”. (destaque nosso)

Mudar mentalidade demanda trabalhar com valores pessoais e sociais, portanto é um processo longo e trabalhoso tanto para o educador como para o educando; como estamos acostumados a buscar soluções rápidas e pouco trabalhosas ainda acreditamos que a edição de uma lei seja a solução quando na realidade é um paliativo para o problema. Paliativo porque se age por medo da punição e não porque se incorporou o comportamento de respeito pelo outro como uma forma de relacionamento.

Esta mesma reflexão aplica-se à análise da questão da “pílula do dia seguinte”, resolve-se o problema social da gravidez na adolescência, pergunta-se, educa a adolescente e o seu parceiro? A preocupação esta nos jovens ou na repercussão social e porque não dizer financeira do evento? Some-se com a gravidez e ficam os adolescentes com as repercussões da fácil solução. Onde fica a família em todo este processo?

A própria ministra que promulgou o decreto relata a dificuldade familiar para aceitação de suas idéias, e a reportagem aponta as controvérsias que se instalaram na sociedade francesa a este respeito. Há o relato de uma enfermeira escolar que diz que usará o método apenas “como último recurso” e sempre proporia à adolescente a consulta aos pais.

Não nos propomos a discutir se os adolescentes devem ou não ter vida sexual ativa, o que nos sobra de certeza é que todo comportamento deve ser responsável e a atividade sexual não está fora desta ótica. A grande preocupação da associação dos pais franceses é que o recurso se banalize e que se passe a fazer uso corriqueiro dele sem que nenhuma medida preventiva seja usada pelos jovens. A coisa seria mais ou menos assim “porque me prevenir pois se posso no dia seguinte tomar minha pílula”. Isto é ser responsável? Como fica o respeito com a vida?

Quanto à última pergunta há que se analisar a pílula do dia seguinte como contraceptiva e para isto há que se delimitar onde se entende o início da vida (união do espírito ao corpo), na fecundação (encontro do óvulo com o espermatozóide na trompa da mulher) ou na nidação (fixação do ovo no útero materno). Nós os espíritas sabemos pela questão 344 de “O Livro dos Espíritos” que isto ocorre na concepção e se completa no nascimento; então mais esta problemática há que ser levantada quando se for discutir com os jovens.

 Nós particularmente achamos que este assunto deve ser discutido com os jovens espíritas com todas estas considerações éticas filosóficas. Não sabemos quanto este procedimento, dito contraceptivo, estará no Brasil, isto se já não estiver às escuras.

Ao tecermos estas considerações temos como referência que o que sempre deve ser buscado é o processo educativo com a análise do agir, suas repercussões na vida de todos e de cada um de nós, pois isto é o que caracteriza indivíduos moralmente educados. O simples fato de fazer desaparecer o problema não é educar pelo contrário é evidenciar que os fins justificam os meios, processo este que contraria a ética cristã do agir.

Joanna De Ângelis, em “Estudos Espíritas” (p.173) sintetiza:

“A educação encontra no Espiritismo resposta precisa para melhor compreensão do educando e maior eficiência do educador no labor produtivo de ensinar a viver, oferecendo os instrumentos do conhecimento e da serenidade, da cultura e da experiência aos reiniciantes do sublime caminho redentor, através dos quais os tornam homens voltados para Deus, o bem e o próximo.”



(Jornal Verdade e Luz Nº 169 de Fevereiro de 2000)





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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Valioso Indicativo



Valioso Indicativo


Nilza Teresa Rotter Pelá

de Ribeirão Preto, SP

Em visita ao Brasil, o historiador e sociólogo Paul Thompson da Universidade de Essex, na Inglaterra, deu uma entrevista á revista Exame (de 6 de setembro de 2000). Ele é considerado o pai da técnica de pesquisa conhecida como "história oral" e na citada entrevista relata um estudo que fez com populações de duas comunidades distintas de pescadores britânicos.

Descobriu que ao norte, nas ilhas Shetland os pais nunca batiam em seus filhos enquanto que no oeste da Escócia, os pais eram muito duros com suas crianças. As crianças de Shetland eram criadas com carinho, muito cedo eram estimuladas a serem independentes, as do oeste da Escócia viviam sob a dominação dos pais, eram ensinadas a apenas seguir ordens, e eram desencorajadas a fazer algo novo e diferente. Enquanto no oeste escocês a pesca declinava, nas ilhas Sheltland ia muito bem. Não é preciso dizer o quanto estas comunidades estavam economicamente diferentes e como o estilo de vida também era diferente.

Lendo esta reportagem lembrei-me de matéria publicada por Kardec em a Revista Espírita (fevereiro de 1864) intitulada "Primeiras lições de moral da infância" onde coloca que uma criança precisa "ser dotada de uma natureza excepcionalmente boa para resistir" as influências do meio onde vive, pois está "na idade mais impressionável e onde não podem encontrar o contra peso, nem da vontade, nem da experiência."

Nesta matéria Kardec aborda a questão da "generosidade forçada", quando se obriga a criança a fazer uma doação para a qual ela não esta pronta. Isto não levaria a criança a sentir o prazer de dar algo e a sentir felicidade que isto poderia lhe trazer.

Continuando é lembrado a questão de se colocar a criança em situação humilhante como forma de corrigir-lhe certas atitudes. Lembra que este processo nada de produtivo pode gerar, uma vez que desencadeia mecanismos defensivos que podem levar a atitudes ainda mais inadequadas.

Contava-me uma colega de profissão, que estagiando com alunos universitário da área da saúde em uma escola de periferia, presenciou um fato que muito bem ilustra esta situação. Dois meninos foram suspensos das aulas por indisciplina. Qual não foi a surpresa dela e de seus alunos quando no dia seguinte lá estavam os dois meninos sentados no pátio com os cadernos apoiados sobre as bolsas fazendo suas lições. Ao se aproximar um deles lhe pediu "tia passa uma continhas para eu fazer": tomou o caderno e atendeu o pedido. Não se contendo perguntou-lhe porque ali no pátio estava tão atento ao que estava fazendo se em sala de aula "bagunçava tanto". A resposta dada é para nossa reflexão "— porque aqui ninguém fica falando e fazendo barulho na minha cabeça". O que o menino precisava era de ambiente calmo para se concentrar, como não tinha aderia a "bagunça" e ainda perturbava mais que os outros.

Este fato, aparentemente simples, é valioso indicativo que, quando queremos ajudar alguém é necessário ir além das aparências, buscando no interior de cada ser os seus reais motivos que nem sempre são claros até para os próprios sujeitos. Quando se trata de crianças isto é ainda mais importante pois há as limitações próprias da infância, com muito bem coloca Kardec, como atrás citamos.

(Jornal Verdade e Luz Nº 177 de Outubro de 2000)


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ler, mas ler o que?

Ler, mas ler o que?





Nilza Teresa Rotter Pelá
de Ribeirão Preto, SP
Os espíritas estão suficientemente orientados a respeito da importância da busca do conhecimento doutrinário através do estudo sistematizado da obra espírita. Emmanuel muito bem nos alerta que a ignorância é uma armadilha.
Sabemos também que vai uma distância entre saber que se deve fazer o estudo e efetivamente realizá-lo, pois temos observado que muitos companheiros que freqüentam a Casa Espírita há muitos anos ainda não se detiveram no estudo das obras básicas da doutrina limitando-se àqueles estudos que podem participar nas reuniões doutrinárias.
Muito importante é essa participação, mas cada espírita deve ir além dela dedicando-se ao estudo das obras básicas com muito mais empenho que a leitura de todas as novidades que chegam ao mercado editorial denominado de Espírita, mesmo porque para a análise racional destas obras é necessário que, nós espíritas, tenhamos como referência a Codificação Kardequiana.
Lembremos que o termo Espiritismo foi adotado por Kardec para diferenciar esta doutrina de todas as outras doutrinas espiritualistas, portanto não basta que uma obra se intitule espírita, cabe a cada um de nós, que a estamos lendo, ver se os conceitos nela apresentados estão de acordo com o que consta de “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”.
Como poderemos fazer esta análise se não nos dedicamos ainda ao estudo das obras citadas? Como já destaca artigo publicado em “Reformador” “...há muito espinheiro com aparência de livro... Com um vasto mercado à frente, ávido por obras espíritas, muitas pessoas disto se aproveitam escrevendo, editando, distribuindo e vendendo obras de qualidade duvidosa, e o leitor, principalmente o iniciante na doutrina, pode ser ludibriado.”


Destacamos ainda que tem sido considerado a importância do estudo dos 4 autores que são conhecidos pela denominação de Consolidadores da obra de Kardec. São eles: Léon Denis, Camille Flammarion, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano.
Uma amiga nossa com 80 anos, filha de espíritas, comentava que como no “seu tempo de juventude” não havia tanta literatura espírita, a família, após estudar as obras de Kardec, estudava com os filhos, sobretudo as obras de Léon Denis e que isto lhe deu uma sólida base de conhecimento doutrinário, então quando a literatura espírita se ampliou ela sempre lia comparando com o que havia estudado e que isto lhe foi particularmente enriquecedor.
Hoje muitos livros espíritas são vendidos, mas pergunta-se: será que o público que está lendo esses livros tem o referencial da Codificação para analisar o que esta lendo?
A esta altura podemos cogitar que o leitor deve estar argumentando que o tempo é escasso, portando tem que fazer uma opção de leitura e como a novidade editorial é mais chamativa opta-se por ela.
O Reformador publicou uma sugestão que uma companheira de doutrina adotou, é um programa de estudo das Obras Básicas que há alguns anos vem realizando de maneira contínua. Cada dia lê seis páginas de uma das obras básicas, quando termina aquela passa para outra e assim sucessivamente, desta forma a cada ano essa companheira lê todas as cinco obras básicas e ainda estuda a literatura complementar da doutrina.
Acatando a sugestão iniciamos esse processo há seis meses fazendo a numeração contínua das páginas lidas, ao ser publicado este artigo já estaremos lendo a quarta obra e a completar um ano do início do processo teremos percorrido todas as obras básicas.
E qual o tempo gasto, poderá estar perguntando o leitor. São aproximadamente vinte minutos diários, ou seja, 5475 minutos em um ano, o que significa 91,7 horas o que equivale a aproximadamente quatro dias de 24 horas. Será que não podemos dedicar esse tempo ao estudo de Kardec para que não nos percamos em eventual espinheiro de literatura dita espírita?
(Jornal Verdade e Luz Nº 209 de Junho de 2003)
Origem destes artigos Aqui:




quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O difícil aprendizado de viver em sociedade


O difícil aprendizado de viver em sociedade






Nilza Teresa Rotter Pelá
de Ribeirão Preto, SP
Diariamente presenciamos na mídia e no cotidiano de nossas vidas o desrespeito ao direito do outro, quer seja esse outro uma pessoa, um grupo, uma etnia ou mesmo uma nação.
Alguns episódios são de extrema violência gerando indignação e até intervenção armada de forças internacionais, outras são sutis passando desapercebida até para os mais próximos.
O olhar percorrendo a história da humanidade revela que este desrespeito assume vestes diferenciadas, mas, também revela sempre a presença do egoísmo como pano de fundo das diferentes manifestações.
A respeito do egoísmo assim se expressa Kardec em Obras Póstumas em sua dissertação O Egoísmo e o Orgulho:
"O egoísmo e o orgulho têm origem num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua utilidade e sua ração de ser, pois Deus nada faz que seja inútil. Deus não criou o mal. É o homem que o causa pelo abuso dos dons de Deus, em virtude do livre arbítrio que, exercido dentro dos justos limites, é um sentimento bom. Seu uso exagerado é que o torna mau e pernicioso."

Podemos perceber que o instinto de conservação desencadeia manifestações extremamente individualistas na pessoa que sente que sua integridade está ameaçada, assim a disputa fica exacerbada quando um indivíduo percebe que o outro pode lhe tirar o que lhe é essencial para a sobrevivência. Foi este estilo de vida que caracterizou os primeiros estádios evolutivos do ser humano.
À medida que o estilo de vida foi se modificando o ser humano apropriou-se dos avanços tecnológicos para assegurar sua alimentação, abrigo e mesmo sua integridade física.
A agricultura forneceu-lhe mais alimentos que o necessário; as técnicas de construção, ambientes cada vez mais espaçosos e a indústria forneceram-lhe maneiras requintadas de defesa de sua pessoa e de seus espaços.
Evoluiu intelectualmente, mas a evolução moral não acompanhou este desenvolvimento. TER passou a ser seu objetivo de vida, agora não mais porque preciso mais porque quero independente de estar fazendo falta ao outro. Como diz Kardec acima citado, é o exagero.
Em Lei de Conservação, Kardec formula sete questões e dois desdobramentos sobre os gozos dos bens terrenos e sobre o necessário e o supérfluo, nas respostas dos Espíritos evidencia-se que as necessidades humanas modificam-se com a evolução social mas, ainda assim os vícios criam necessidades artificiais.
São essas necessidades artificiais nascidas da percepção de superioridade dos demais achando que tem mais direitos e ofendendo-se com qualquer coisa que a seu ver o esteja lesando" que caracterizam o uso exagerado que é mau e pernicioso.
É amplamente conhecido o adágio que nosso direito termina quando começa o direito do outro, bem como que o que é bem coletivo não pode ser usado exclusivamente em benefício pessoal.
A primeira vista e conceitualmente isto parece óbvio, entretanto o exercício destes dois paradigmas resolveria na quase totalidade grandes problemas do viver em sociedade. Pois se ainda não o amo pelo menos eu o respeito
A todos nos ocorre as imagens das CPIs dos poderes públicos, mas é preciso ir além, pois uma grande parte dos indivíduos já não cometem essa atrocidades. Assim poderíamos pensar que desta já nos livramos, o que não podemos esquecer é que quando atingimos este nível esta na hora de "aparar as rebarbas."
É um processo de refinamento tal como é o desenvolvimento de nossa psicomotricidade, primeiro os grandes movimentos , depois os mais finos e sutis, primeiro aprendo a não lesar meu próximo, depois a não magoá-lo por palavras ou gestos.
Assim entendendo, cuido de meu espaço e de meus direitos, mas minha ação é pautada levando em consideração que nem sempre eu venho em primeiro lugar, que algumas vezes é a vez do outro, como em outra é a minha vez.
Ilustrando este aspecto podemos colocar a homenagem que os alunos prestaram a um colega de classe no dia formatura, presenciamos certa vez uma destas homenagens, a colega que foi encarregada da mesma colocou o motivo: o universitário sempre soube estar presente quando alguém necessitou de compreensão, incentivo e apoio; acrescentando que esse aluno estuda e trabalha (e tenha dois empregos) portanto o cansaço era seu companheiro diário e mesmo assim teve disponibilidade para se preocupar com seu próximo. Bonita sua vida ao longo dos anos universitários e bonito também os colegas que se apagaram no dia da formatura para dizer: "você foi um exemplo para nós"
Oxalá pudéssemos todo nós entender que há o dia de brilhar mas há o dia de permitir que a luz do próximo também brilhe. Este seria o momento que o egoísmo estaria a caminho que ser transformado em generosidade a grande chave da transformação moral de nosso planeta e o caminho para a instalação do amor como princípio norteador das relações humanas.
(Jornal Verdade e Luz Nº 181 de Fevereiro de 2001)

sábado, 1 de outubro de 2011

A senhora e o mouse


A senhora e o mouse




Nilza Tereza Rotter Pelá
de Ribeirão Preto, SP
Já fizera 55 anos quando considerou que não podia mais amedrontar-se diante do computador. Depois de várias tentativas de executar tarefas mais complexas com a máquina, quase todas frustradas, pensou em deixar para a outra vida, entretanto a idéia não lhe parecia boa, até mesmo lhe dava uma certa tristeza. Toda a vida ouvira dizer que querer é poder, estaria ficando preguiçosa ou com a vontade enfraquecida?
Deu-se um tempo conversou com pessoas de seu círculo de amizades, muitas a incentivaram a persistir, outros a buscar atividade menos desgastante. Estava diante de um difícil processo decisório. Optou por continuar.
Novas falhas, novos desencantos, novas tristezas. Por que não conseguia? As crianças faziam com tanta facilidade e conseguiam coisas maravilhosas. Tinha que haver uma explicação além da idade e das falhas de memória. Passou a se observar e analisar o que se apresentava como impeditivo de seu desenvolvimento, onde estaria errando?
O primeiro erro identificado foi "medo de errar", passou a observar que as crianças não gastavam energia lamentando o erro, reservavam a energia para buscar o acerto. Incluiu este comportamento no seu repertório. Depois percebeu que as crianças não se sentiam na obrigação de saber e muito menos se intimidavam em perguntar. Passou a perguntar, queria saber qual comando, qual atalho, qual programa. Novas desilusões, as pessoas sempre solícitas a ajudar, entretanto quando sozinha com a máquina, nada!
Afastou-se embora inconformada, deixaria para depois quando tivesse um cérebro mais novo em nova reencarnação e quando as máquinas estivessem mais evoluídas. Ledo engano, isto lhe dava a sensação de derrota, sobretudo porque todos tentavam ajudá-la a superar as dificuldades e repetiam e repetiam os processos para ela que olhava atentamente, anotando tudo.
Eis ai a questão, sempre que alguém se propunha a ajudá-la o primeiro ato era se apossar do mouse e realizar as operações de maneira muito eficiente, mas extremamente veloz, não lhe ensinavam, faziam por ela. Era preciso não aceitar este tipo de ajuda, era preciso que lhe permitissem, mesmo que devagar, que realizasse ela mesmo as operações.


Era preciso tomar uma atitude, começou muito sutilmente a propor às pessoas que deixassem ela mesma realizar os comandos, nenhum resultado, continuavam a tomar o mouse de sua mão, precisava falar, mas não tinha coragem, afinal estavam ajudando.
Esta situação persistiu até que a leitura do evangelho lhe mostrou o caminho "Que seja o seu falar sim, sim, não, não". Entendeu finalmente que se quisesse manter o mouse na mão deveria deixar isto bem claro para todos .
Nova dificuldade, novo pedido de ajuda, esta chegou de forma atenciosa como sempre. Primeiro gesto do "orientador": pegar o mouse. Seria agora, muniu-se de coragem e disse que gostaria de explicar uma coisa: no seu tempo de infância era proibido às crianças mexer nas coisas importantes da casa, sobretudo no rádio e na vitrola pois eram objetos delicados e poderiam se danificar, assim, ainda de alguma forma, para ela o computar era esta "coisa delicada" e portanto tinha necessidade de manter o mouse em sua mão para sentir que podia interagir com a máquina.
Quase riu com o olhar de espanto do "orientador" quando ele disse que ela quem havia pedido ajuda. — "Sim pedi ajuda, mas não pedi que fizesse por mim", e qual não foi sua surpresa quando recebeu como resposta que ele nunca havia pensado nisso, que de agora em diante quando solicitado à ajudar estaria atento para não tomar o mouse de ninguém.
Este fato nos traz muitas reflexões frente ao eterno objetivo de novos aprendizados, a) não desistir diante da dificuldade, b) não nos sentirmos diminuídos quando necessitamos de ajuda, mesmo que esta venha de pessoas muito mais jovens que nós, c) colocar claramente o que estamos necessitando, d) não permitir que façam por nós quando podemos nos esforçar para alcançar o aprendizado, e) primeiro procurar as dificuldades em nós mesmos antes de atribuir a fatores externos, f) sempre é hora, sempre é lugar e sempre é tempo de aprender, não importa a fase da vida em que estivermos.



Lembremos Irmão Jacob em seu livro "Voltei" quando nos lembra que educação é fruto de "trabalho incessante".
(Jornal Verdade e Luz Nº 183 de Abril de 2001)


Origem destes artigos Aqui:

Superando Obstáculos



Superando obstáculos






 Por:Nilza Teresa Rotter Pelá

de Ribeirão Preto, SP

A própria história de nossa espécie denota que a superação de obstáculos apresenta-se como recurso para a evolução individual e coletiva e se constitui em excelente fonte de aprendizado. Privar alguém de confrontar-se com dificuldades ou furtar-lhe condições de vivenciar a dificuldade pode levar a uma estagnação pessoal com conseqüente prejuízo de seu caminhar na busca da superação de si mesmo.

Já tivemos oportunidade de discutir nesta coluna o comportamento de muitos adultos, notadamente alguns pais, que buscam sempre aplainar os caminhos daqueles que lhe são mais jovens no corpo físico, com a desculpa de poupar-lhes sofrimento, entretanto sofrer não é o objetivo, é mero acidente de trajeto até que a dificuldade seja superada , e como diz o ditado popular a pessoa passa então a "tirar de letra" a dificuldade que transforma-se em ato corriqueiro.

A propósito deste tema corre uma página na Internet, cuja autoria não logramos obter, que muito bem ilustra a questão, denomina-se "A lição da borboleta" que transcrevemos a seguir:

"Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias horas conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco. Então pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso.
 
Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia e não conseguia ir mais longe.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta, ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas 0 homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. 
Ela nunca foi capaz de voar. 
0 que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário da borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar."

É ainda freqüente observarmos a atitude de pseudo ajuda no interior dos lares e escolas, sobretudo quando percebemos que o filho e/ou o aluno apresenta uma dificuldade muito grande para atender a execução de uma determinada tarefa.

Nas nossas lides acadêmicas temos algumas vezes deparado com alunos que vêm dos dois primeiros graus de ensino portando deficiências; quase sempre nesta situação nos perguntamos se não estamos sendo "duros demais" com este grau de exigência.

Dois são os caminhos que se abrem nesta circunstância: abaixamos o nível ou caminhamos junto tendo que repetir a mesma orientação várias vezes a ponto de acharmos algumas vezes que também não daremos conta. A primeira situação sem dúvida é mais cômoda e mais rápida, 
poupa nossa ansiedade, mas nega à
 pessoa a possibilidade de crescimento 
por menor que ele seja (menor para nós, 
para ele pode ser gigantesco).

Há de se considerar entretanto que ninguém esta fazendo apologia ao fato de que se deve colocar dificuldade na vida das pessoas para "fortalecer-lhe o caráter".


  Este é outro engano, mas que infelizmente 
ainda ocorre. 
Estes implantes artificiais de nada ajudam e podem muitas vezes gerar o desânimo para continuar.



O bom-senso ainda é o grande conselheiro da medida certa, nem tirar a dificuldade quando ela é fonte de crescimento pessoal, nem favorecer a dificuldade quando ela pode atuar como agente impeditivo.

Em tempo, lembremos que bom-senso significa "aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida, faculdade para discernir entre o verdadeiro e o falso." (Grande Dicionário Aurélio)

(Jornal Verdade e Luz Nº 165 Outubro de 1999)
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